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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

 

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Nos anos de infância e início da adolescência fui obcecado por banda-desenhada sendo apaixonado, até hoje, por Tintin, Asterix, Gaston ou Lucky Luke. Na idade adulta, esse vício desvaneceu-se mas há poucos meses, por influência de um amigo, voltou a aparecer. Sendo adulto, chamo-lhe agora graphic novels e não BD e compro-as muitas vezes em inglês e por preços mais elevados do que os mil e quinhentos escudos que na altura bastavam para ter um novo volume. Leio também mais rápido, tornando este vício numa aventura cara. Mas compensadora.

 

Lamurias à parte e depois de me atualizar em séries de sucesso internacionais como Saga, Chew, Southern Bastards ou Descender, virei-me para Portugal e para a genialidade de Filipe Melo, também conhecido como músico e agora como participante do podcast “Uma Nêspera no Cú”. Comecei pelo fabuloso “Os Vampiros”, sobre um grupo de soldados portugueses no Ultramar e as suas angústias, desenhadas de forma brilhante por Juan Cavia.

 

Voltei agora para uma série de aventuras que esta dupla criara algures em 2004. Nelas, temos Eurico, conhecido por Pizzaboy, um jovem lisboeta a quem roubaram a mota, a ir ter com Dog Mendonça, um detetive que se revela num lobisomem e com Pazuul, o seu sidekick, que perante a capa de uma criança de 10 anos é um demónio com mais de seis mil anos. Da estranha aliança surge uma superequipa (à qual se junta uma cabeça de Gárgula) que combate o mal e salva o mundo, inclusive quando o Apocalipse está prestes a acontecer, tendo o Marquês de Pombal como epicentro e só uma viagem a Fátima resolve o assunto.

 

As aventuras deste grupo são um exercício de imaginação, um desfilar de personagens inimagináveis e uma paródia completa. Apenas o traço de Cavia impressiona mais do que os argumentos de Melo. A ler e reler.