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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

 

Arvo Pärt subverte o silêncio — ele não é ausência; é transfiguração. O silêncio é cúmplice, uma voz gêmea que mais e mais se esconde e, por isso mesmo, mais e mais se deixa entrever. Como um novelo de sensações, cores e sabores, tudo é muito tênue, frágil. Mas há vigor e ausência de frouxidão. Não há adiposidade de dramas, senão tudo na dosagem precisa, uma alquimia perfeita que do nada faz-se ouro. Máxima atenção aos cantos, aos seus choros, aos seus nadas. Como um poeta simbolista que mais sugere o objeto que o descreve em pormenores, Pärt sabe precisamente o que quer: seu realismo é sobretudo imaginativo. Tudo é magia, um conto de fadas entre sombras que descansam sobre a terra. E como um longo longo poema estendido sobre a esfinge dos anos, uma epopéia de povos e esquecimentos entre Ozymandias e reinos abandonados, suas composições fazem o reviver de reminiscências e memórias. Desse assombro, o que nos resta é apenas um sol fulgurante, eco inatingível que faz repousar a paz eterna sobre os homens. 
 

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