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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»



O novo livro de J.M. Coetzee é o desafio literário do ano.


Parece tratar-se de uma história simples, se bem que fora do  comum, mas é, na verdade, um exercício filosófico complexo e com camadas bíblicas que muitos, eu incluído,  não  apanharão à primeira.



Um rapaz e um adulto atravessam oceanos (porquê?) antes de irem parar a Novilla (localização?), onde recebem os nomes de Simon e David (porque não sabem os seus nomes?) e passam a viver como pai e filho, mesmo que Simon não conheça o rapaz.


Arranja trabalho a carregar sacas de trigo no porto (quase só se come pão e quase só se bebe água) e sustenta David, ao mesmo tempo que a sua amizade se consolida.


David é sensível e inteligente do alto dos seus cinco anos. A missão de Simon é encontrar a mãe de David. David concorda. Um dia, Simon vê uma jovem mulher e sente que ela é a mãe de David (ela não sabe? não se lembra?). No dia seguinte, a mulher convence-se do seu papel e adota David. Mas numa sociedade nova e estranha, a inteligência de David é vista como rebeldia e o trio é obrigado a fugir.


Simon e David destoam de uma sociedade onde se deve entrar limpo, sem vestígios do passado e onde prazeres caros a Simon como sexo ou comida que não pão e água são superficiais. É nesta sociedade, repleta de boa vontade mas carente de vontade que se movem os nossos personagens.


Um livro assombroso.