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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

Ouvi por estes dias o realizador Paulo Branco a falar sobre o filme A Gaiola Dourada. Confesso que não concordei em nada com as suas críticas. Diz Paulo Branco que este filme estereotipa os emigrantes portugueses num jeito próprio do cinema francês em relação às minorias. Sem desmérito para o profundo conhecimento que o realizador português tem do cinema francês, não vejo onde o filme tem um olhar estereotipado sobre os emigrantes portugueses em terras de Robespierre. Qualquer pessoa que conheça minimamente a realidade sociocultural dos emigrantes do avec e do alors reconhece os traços essenciais das personalidades-padrão neste filme, por sinal de um luso-francês. Em segundo lugar, os estereótipos são comuns ao cinema, desde o americano cowboy ao judeu avarento, nos casos mais exacerbados, mas também nos traços centrais de personalidade coletiva e cultural nos casos mais amenos. O estereótipo é a própria produção da personagem. Certamente que Paulo Branco não pretende exigir que estejam centenas de empregadas domésticas em cena para que haja uma definição mais elástica de personalidade. Ademais, quer ele queira quer não, as personagens do filme retratam muito bem um vasto número de emigrantes portugueses, de várias gerações. Não é por haver o estereótipo do português de farto bigode e com a careca tapada com os cabelos bem puxados das orelhas que não significa que não seja uma imagem real. À qualquer coisa de "dor de cotovelo" nas críticas passim

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