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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

 

 

Ao domingo, até os escravos podem ter momentos de descanso. Assim, Patsy (a desconhecida Lupita Nyong´o), adolescente, favorita do patrão na hora dos alívios da carne e campeã na apanha do algodão, vai, como de costume, a uma quinta vizinha, onde a senhora é negra e lhe dá chá, respeito, bolos e um pouco de sabão.

 

Tal passeio não agrada ao tresloucado Sr. Epps (M. Fassbender de Vergonha, Fome, X-Men, Inglorious Bastards ou Prometheus) dono de Patsy e, um impõe-se um castigo, pois, "um homem faz o que quer da sua propriedade". Para a crueldade ser maior, Epps dá ao escravo Platt a obrigação de chicotear com toda a força que tiver, a pequena Patsy.

 

Nessa altura, tanto o carrasco como a vítima, choram o seu destino e, nós, espetadores copiamos-lhes tal gesto. É assim - chorosos, partidos e desesperados - que nos sentimos ao longo de "12 Anos Escravo" de Steve McQueen (Vergonha ou Fome, ambos estrelados por Fassbender).

 

Platt, nome que um mercador de escravos lhe deu é, na verdade, Solomon Northup, um negro livre que vivia em Nova Iorque e prosperava como músico, junto da família. Com a mulher fora de casa por três semanas para um trabalho como cozinheira, Solomon aceita, ele próprio, viajar até Washington, a convite de dois desconhecidos que  lhe prometem bom dinheiro pelo seu talento. Um dia, acorda acorrentando numa cave e tudo muda. É vendido como escravo, ficando privado do mundo. Freeman (Homem Livre) é o nome do tenebroso esclavagista que Paul Giamatti interpreta.

 

Primeiro, vai parar à quinta do Sr. Ford (Benedict Cumberbatch de Sherlock) que valoriza a sua inteligência mas não quer saber da sua história de homem livre. Uma série de atritos com Tibeats (Paul Dano de Haverá Sangue ou Ruby Sparks), sombrio capataz faz com que seja vendido a Sr. Epps e à mulher (Sarah Paulson de O que as mulheres querem e Abaixo o Amor ) que faz concorrência com o marido na loucura e crueldade. São 12 anos de desespero que nos passam à frente num filme fabuloso.

 

Solomon é interpretado por Chiwetel Ejiofor, ator nigeriano de 36 anos que tem passado ao lado de uma grande carreira, não tendo tido papeis à altura do seu talento, apesar de ter sido figura secundária em blockbusters como 2012 ou Salt e de proa em filmes que passaram meio despercebidos como Estranhos de Passagem. Com 12 anos escravo, o talento de Ejiofor ganha, finalmente, palco, sendo um dos grandes candidatos ao Óscar de Melhor Ator.

 

Baseada na história verídica, escrita pelo próprio Northup no ano em que foi libertado, este é já um dos filmes do ano, candidato a todos os Óscares relevantes e conta, ainda, com estrelas como Brad Pitt, Michael K. Williams (o Sr. White de Boardwalk Empire) ou Alfre Woodward.

 

E, para adensar a lenda, não sabe ao certo onde, como e quando morreu Northup, sabendo-se apenas que dedicou o resto da vida a ajudar escravos fugidos e a condenar, em público, a escravatura.