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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

Hollywood (2020)

Junho 17, 2020

João Ferreira Dias

Ainda em visionamento, a série Hollywood além do excelente trabalho de reconstituição material, do guarda-roupa ao cenário, é um divertido convite à reflexão sobre como o cinema sempre foi produtor e reprodutor de estereótipos -- da negra serviçal à asiática inadequada para o papel de asiática por ser excessivamente asiática --, assim como se apresenta como reflexo dos meandros de uma sociedade onde o sucesso, a prostituição e os favores sexuais sempre fizeram parte do show business

Comedians In Cars Getting Coffee (2012-?)

Junho 15, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Jerry Seinfeld não precisa de dinheiro nem de notoriedade, o que torna Comedians In Cars Getting Coffee mais interessante ainda. Vê-se que as conversas de Seinfeld com outros membros da realeza norte-americana (e não só) do humor (e não só) são sinceras e que dão genuíno gozo ao host (bem, umas mais do que outras). Escolhido um carro (a grande paixão do comediante) por episódio que reflita a personalidade do convidado é tempo de conversar sobre tudo e nada com o humor que se espera, passando por sessões de café e comida. São viciantes chávenas de cerca de 15 minutos, disponíveis na Netflix.

Orange is the new Black (2013-2019)

Junho 14, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Só agora, cerca de cinco anos depois do lançamento, chego a este Orange Is The New Black (OITNB) , série de culto, desenvolvida por Jenji Kohan, Sara Hess e Tara Herrmann, que vai para a sétima temporada. Baseada na história de Piper Kerman e nas suas experiências na FCI Danbury, OITNB conta a história de Piper Chapman. Piper Chapman (Taylor Chapman) é uma betinha. A sua família tem dinheiro e Piper tem estudos, casa, um pequeno negócio em ascensão e um namorado sólido, Larry Bloom (Jason Biggs), um escritor com pouco trabalho. Não fora um erro do passado e Piper teria uma vida tranquilo. Não fora, durante uma relação lésbica com uma traficante de droga, ter sido correio de droga e tudo poderia ser calmo na sua vida. Dando-se como culpada antes de ser apanhada, Piper entrega-se para 15 meses de prisão, testando as suas relações do exterior, criando outras no interior e sobretudo, testando-se a si. Na prisão, passamos a conhecer um ecossistema muito próprio. Na cadeia de comando há Figueroa (Alysia Reiner), com tendência para fazer cortes orçamentais na prisão que a parecem beneficiar; Caputo (Nick Sandow), que se vai safando do trabalho e muitas chatices no dia-a-dia e Healy (Michael Harney), chefe dos guardas e bom homem, não fosse a sua tendência para ver lesbianismo em todo o lado, a toda a hora. Entre os guardas, destacam-se Mendez (Pablo Schreiber), tarado e com vontade de estimular o contrabando na prisão e Bennett (Matt McGorry), um ex-soldado que se apaixona por uma reclusa. As histórias mais ricas vêm das colegas de Piper comoTaystee (Danielle Brooks), uma órfã bem-disposta e génio da matemática; Tiffany (Taryn Manning), “white trash” que descobre Deus após um quinto aborto; Red (Kate Mulgrew), implacável chefe da cozinha; Crazy Eyes (Uzo Aduba) que se apaixona por Piper à primeira vista; Morello (Yael Stone) que planeia o casamento mesmo que o noivo não dê sinal de vida; Boo (Lea DeLaria), a falsa bully ou Sophia (Laverne Cox), recém-operada para ser uma mulher e que gere o salão de beleza da prisão. E há, claro, Alex (Laura Prepon), a ex-amante e traficante. Comédia negra, OITNB, consegue não perder o ritmo mesmo passando-se dentro de prisões, isto porque é-nos contada com mestria, não só a história de Piper como a história de várias reclusas antes de o ser. E não é à pressa, uma por episódio. Há histórias complexas, sempre negras, que duram o seu tempo.

Um lugar silencioso (2018)

Junho 07, 2020

Francisco Chaveiro Reis

6.jpgNum futuro próximo, o Mundo vê a sua população diminuir à custa de uma raça extraterrestre assassina. As criaturas, letais e rapidíssimas, descobre-se, são cegas e a forma de as evitar é praticar o mais absoluto silêncio. É esta a premissa do novo filme de John Krasinski, protagonizado pelo próprio e pela sua mulher, Emily Blunt. John tenta ser o garante da coesão e sobrevivência da mulher, do filho por nascer e dos dois que já tem. O desenvolvimento não é tão bom como a premissa, mas este é sem dúvida um exercício original e interessante.

A Possibilidade de Uma Ilha (2005)

Junho 06, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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A Possibilidade de Uma Ilha é-nos contado através das entradas de três diários. O mais extenso é o de Daniel 1, comediante francês de meia-idade, inteligente, cínico e com grande apetite sexual (como todas as personagens centrais de Michel Houellebecq) que após ter perdido o gosto pela carreira e ter ganho vários milhões, vive uma vida sem grande sentido, indo-se distraindo com Esther, uma jovem e debochada espanhola e com os Eloim, uma estranha seita que evolui para a resposta do ser humano à imortalidade. Os outros diários são os de Daniel 24 e 25, neo-humanos, descendentes diretos de Daniel, criados como parte de uma nova e melhorada raça mais ou menos humana. É mais um soco de Houellebecq, provavelmente o autor mais interessante e inquietante da atualidade, que nos faz pensar na velhice, embrulhando essa angústia pessoal numa ficção científica de segunda.

Mitologia Nórdica (2017)

Junho 05, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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A influência da mitologia nórdica (e não só) na obra do inglês Neil Gaiman (radicado nos EUA) é bastante óbvia. Não admira que o autor de American Gods, Good Omens ou Sandman tenha dedicado um livro a simplificar a mitologia nórdica, peneirando algumas histórias de Odin, Thor ou Loki, hoje em dia mais conhecidos pelos filmes da Marvel. Em Mitologia Nórdica, Gaiman conta-nos como foi criado o mundo dos homens, como foram criados os próprios seres humanos, como Thor ganhou o seu martelo ou como Odin perdeu o olho. Uma lição.

Blankets (2003)

Junho 04, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Blankets, graphic novel autobiográfica de Craig Thompson, tem colhido louros desde o seu lançamento em 2003. Só esta semana, com a compra da belíssima edição portuguesa de capa dura, pude testemunhar a justiça de tudo o que se tem dito sobre o livro. Thompson, em mais de 600 páginas a preto e branco, conta como foi a sua vida até à idade adulta. Vemos, sem tabus, como era a sua relação com os pais – pobres, rígidos e profundamente cristãos; com o irmão, com quem partilhou cama, abusos e o amor pelo desenho e com o meio rural e redneck onde vivia. Mas há duas relações que mostram ser ainda mais profundas. A primeira, é com Deus. Thompson luta constantemente com a sua fé, ora querendo abraça-la (ser sacerdote é sugerido), ora negando-a. A segunda é com Raina, o seu primeiro amor. Dessa relação nasce o trecho mais comovente do livro, com Craig a passar com ela e com a sua família, duas semanas onde tenta equilibrar a culpa cristã com as tentações da carne e onde para além de Raina conquista uma família à beira da rutura. Uma obra-prima em vinhetas que prova que esta nunca foi uma forma de arte menor nem que está para desaparecer.

Álbuns da minha vida | Dangerous (1991)

Junho 04, 2020

João Ferreira Dias

Lançado em 1991, este álbum de Michael Jackson está intimamente ligado às minhas memórias de infância. Adquirido naquele ano em cassete (já há toda uma geração que não sabe o que é uma cassete e que desconhece a relação entre esta e um lápis ou caneta bic), acompanhou-me nesse Verão, alto e bom som, quando fiz, com os meus pais, o trajeto em direção à Costa Vicentina e, depois, em sentido contrário, de regresso a Lisboa, pela estrada nacional, o que significava passar umas boas horas, ao calor, enfiado em filas extensas, que permitiam sair do carro, ir ao café comprar água e voltar. Apesar de tudo, porque a nostalgia é tão golden, até isso era bom, porque se ouvia e voltava a ouvir, "Black or White", aquele gesto de "puxar a cassete atrás", ato com um som tão próprio. 

Trumbo (2015)

Junho 03, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Trumbo leva-nos até à Hollywood de 1947 onde Dalton Trumbo (Brian Cranston) é um guionista de topo. O único problema é que é assumidamente e orgulhosamente comunista (como explica à filha mais nova de forma genial a dada altura do filme). Nada interessado em abrir mão dos seus ideiais, ele e outros 9 na mesma posição como Arlen Hird (Louis CK) ou Ian McLellan Hunter (Alan Tudyk), deixam de poder trabalhar para os grandes estúdios. É nessa altura que Trumbo, como forma de ganhar a vida, defender os seus pares e prestar homenagem aos milhares de americanos colocados na "lista negra" como a virar o jogo, passando a escrever compulsivamente e cobrando menos, dominando, sob vários pseudónimos, Hollywood até que o seu envolvimento se tornou essencial para a indústria e para alguns dos seus protagonistas que o procuraram como Kirk Douglas (Dean O´Gorman) ou Otto Preminger (Christian Berkel). Pelo caminho, Trumbo, sacrifica a sua vida familiar com destaque para a relação com a mulher, Cleo (Diane Lane) e com a filha mais velha, Niki (Elle Fanning); vê antigos amigos rebelarem-se contra ele como a famosa colunista Hedda Hopper (Helen Mirren), o ator Edward G. Robinson (Michael Stuhlbarg) ou o produtor Buddy Ross (Roger Bart). Faz ainda novos amigos, como os irmãos Frank (John Goodman) e Stephen King (Hymie King), donos de uma pequena produtora que se orgulhava de fazer maus filmes e novos inimigos como o poderoso John Wayne (David James Elliott). Um elenco de luxo a contar a história fabulosa do homem que, contra quase todos, escreveu obras como Spartacus e venceu dois Óscares.

 

 

Ready Player One (2011)

Junho 02, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Ready Player One é um dos livros que mais me prendeu nos últimos anos. Mesmo depois de ter lido alguns volumes bastante interessantes. Saído da mente de Ernest Cline (escritor, argumentista, pai e geek), leva-nos até 2044. A Terra é um lugar triste, em colapso graças a fome, pobreza, doenças, guerras e escassez de energia. Neste mundo, os mais pobres vivem em roulottes mas, em vez delas estarem no chão, estão amontoadas em torres. É neste novo tipo de bairro da lata que vive o adolescente Wade Watts, órfão e sem grandes esperanças na vida. Existe apenas um escape: o OASIS. Criado por um mago tecnológico, o OASIS é uma plataforma de realidade virtual que permite aos seus utilizadores fazerem um pouco de tudo: desde ir gratutamente às melhores escolas até travarem batalhas num dos milhares de mundos disponíveis. Sendo o acesso à OASIS gratuito, é lá que Wade passa grande parte do seu dia, bem como o resto da humanidade. Mas o OASIS muda quando o seu criador morre. O testamento dá acesso à sua fortuna mas lança uma competição. Os jogadores terão que seguir pistas para obter três chaves e conseguir abrir três portões. E, apesar de existir uma obscura organização e milhões de gunters (jogadores deste jogo conhecido como A Caçada), é o pobre Wade o primeiro a descobrir a primeira chave, anos após o jogo se iniciar. E aí começa a aventura. Wade, conhecido pelo seu avatar, Perzival, tenta manter a sua amizade com Aech e conhece Art3mis, Dairo e Shoto, à medida que persegue os seus sonhos. Uma grande aventura, escrita com muito ritmo e humor e repleta de referências directas à cultura Pop dos EUA nos anos 80 com divertidas incursões nos universos dos filmes e livros de ficção cientifica, BD e, sobretudo, videojogos.

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