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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

Soldado Milhões (2018)

Maio 31, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa revisitam a Batalha de La Lys, em plena Grande Guerra, para lembrar que nem tudo foi atraso de vida e humilhação. Entre os "lanzudos" enviados para a frente de batalha, encontravam-se homens de coragem e um - Aníbal Milhais - que foi considerado herói pelos portugueses e aliados. Se a evolução do cinema português, em termos visuais, é evidente neste filme, há ainda caminho a percorrer em termos de som e sobretudo de construção da narrativa. Lá chegaremos. Com boas tentativas, como esta.

Passageiros (2016)

Maio 30, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Num futuro não muito distante, uma nave viaja para um planeta por habitar. Lá dentro, estão 5.000 pessoas que vão colonizar o novo mundo. A viagem dura 120 anos, nos quais os colonos devem estar em sono profundo. O problema é que, 90 anos, antes da chegada ao destino, Jim (Chris Pratt), acorda. O mecânico, em busca de um mundo onde seja relevante, vê-se sozinho numa nave, tendo como única companhia, Arthur (Michael Sheen), um androide barman, que lhe serve bebidas e companhia. Depois de uma boa parte do filme de Last Men on Earth meets The Martian meets Moon , Jim cai em tentação e arranja companhia à força. Apaixonado pela ideia de Aurora (Jennifer Lawrence), o solitário homem acorda-a, avariando a sua cápsula. Perdida, Aurora não se quer render ao destino de morrer na viagem e começa a procurar soluções, ao mesmo tempo que se apaixona irremediavelmente por Jim. Até que mais uma cápsula se avaria, a do capitão Gus (Lawrence Fihsburne) e o trio percebe que a viagem pode ser encurtada rapidamente. Um bom exercício de ficção cientifica com humor e uma história de amor pelo meio. E claro, Lawrence em grande forma.

Turn Up Charlie (2019-?)

Maio 28, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Para surpresa do mundo, Idris Elba tem um comediante dentro de si. Para desgosto do próximo, ninguém acreditou nisso e teve que ser o próprio a criar uma série de humor para estrelar. Nasceu assim Turn Up Charlie que coloca Elba na pele de Charlie, um DJ de meia-idade, que conheceu a fama há vinte anos mas que hoje vive com a tia, sem dinheiro e que mente aos seus pais, inventando um trabalho bem-sucedido e omitindo já não ter noiva. É quando o seu amigo de infância, David (JJ Field) regressa a Londres, que a vida do DJ começa a mudar. Há amor instantâneo entre Charlie e Gabs Gabs (Frankie Hervey), uma pré-adolescente de pelo na venta que não parece respeitar ninguém e de quem Charlie se torna…ama. Ao mesmo tempo aproxima-se de Sara (Piper Perabo), mulher de David e DJ famosíssima que lhe promete ajuda para um regresso à ribalta. Eis se não quando, do sorumbático Luther, sai um comediante de qualidade que nos oferece a surpresa do ano.

Newness (2017)

Maio 27, 2020

Francisco Chaveiro Reis

 

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Nicholas Hoult, um dos mais interessantes atores do panorama atual, juntou-se à espanhola Laia Costa para um filme que explora as relações de hoje em dia. Jovem farmacêutico, bem parecido e sucedido, com um casamento breve atrás das costas, só conhece raparigas através de uma app, aborrecendo-se rapidamente das suas conquistas e ignorando as mulheres de carne de osso que estão mesmo ao seu lado. É também através dessa app que Gabi, sempre entre profissões porque se aborrece rapidamente, conhece homens. O casal conhece-se e acaba por se apaixonar e viver um relacionamento intenso. Pelo menos até ao aborrecimento e a realidade tomarem conta da relação.

The Big Sick (2017)

Maio 27, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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O comediante paquistanês Kumail Nanjiani conta a sua história de amor (verídica). Na altura em que os seus pais queriam que fosse advogado e casasse com uma rapariga paquistanesa (Kumail colecionava as fotografias que as pretendentes lhe ofereciam nos jantares combinados pela mãe), Kumail tentava a sua sorte como comediante nos bares de Chicago e conhecia Emily (Zoe Kazan), por quem se apaixonou. E quando a relação parecia condenada pela sombra das tradições familiares de Kumail, Emily adoece gravamente e Kumail fica com ela, ao longo do coma e conquista os pais e Emily, Beth (Holly Hunter) e Terry (Rai Romano).

Euphoria (2019-?)

Maio 26, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Cru, duro e muitas vezes, literalmente nu, assim é o retrato que Euphoria faz da adolescência ocidental, onde há necessidade viver tudo, no limite e rapidamente. No centro, está Rue (Zendaya, ex-menina Disney), que regressa às aulas após um verão de overdose e desintoxicação. Atormentada pelo passado e com necessidade constante de escape, continua a drogar-se, engando a mãe e irmã e caminhando para o abismo, seja lá isso, o que for. Eis se não quando, lhe aparece à frente, Jules (a ativista Hunter Schafer), cheia de estilo e de dores da separação dos pais e se torna na sua melhor amiga e razão de abstinência de drogas, ao mesmo tempo que se apaixona por estranhos via app´s. Num mundo digital, há ainda a gordinha que perde a virgindade e é filmada, acabando por virar o jogo e transformar-se numa sensação sexy em sites pornográficos. Há o menino perfeito, com uma a namorada perfeita que cresce à sombra de um pai dominador e que tem tendência para o controlo e violência. E existe a boazona, disposta a tudo, para que gostem dela, confundido o sexo com o amor e existe muito mais, num ecossistema de uma realidade aparentemente paralela que afinal acontece aqui ao lado.

Cassandra Darke (2018)

Maio 25, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Perdido na Feira do Livro, a menos de 10 euros (a etiqueta dos tempos áureos indicava mais de 25, merecidos), estava este Cassandra Darke, de 2018, nascido da cabeça, pena e estirador de Posy Simmonds, conhecida por ter criado a personagem de Tamara Drewe, que até chegou ao cinema através do corpo de Gemma Arterton. Graphic novel de fino recorte, leva-nos ao dia a dia de Cassandra, uma londrina endinheirada que vende obras de arte e vive numa casa de 7 milhões de libras. Já se sabe que dinheiro não é tudo e Cassandra nada quer com a simpatia, alegria ou sequer, com a empatia. Quando a filha do ex-marido vai viver com ela, Cassandra lá arranja forma de encontrar um coração para ajudar a pequena em apuros, num livro com piscar de olho a um Charles Dickens festivo.

Aos olhos da justiça (2019)

Maio 24, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Em 1989, uma jovem foi violada e espancada em pleno Central Park, em Nova Iorque. O ato bárbaro levou a que cinco adolescentes fossem condenados a consideráveis penas de prisão. No entanto, apesar de terem estado encarcerados doze anos, não chegaram a cumprir as suas penas na totalidade. Em 2002, o verdadeiro criminoso, num rebate de consciência, confessou-se e foi preso. Os cinco foram libertados, indemnizados e são agora homenageadas numa série Netflix. A homenagem, justa, mostra como a justiça escolheu e condenou cinco jovens negros, de poucos meios, por um crime que não cometeram, mudando para sempre o rumo da sua vida. A questão levantada é simples e complexa: estão os EUA livres de voltar a fazer o mesmo?

With love, Simon (2018)

Maio 23, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Nem o facto de ter um grupo unido de amigos que o adoram e uma família liberal que o ama, faz com que Simon se sinta capaz de revelar o segredo que esconde há quatro anos. Simon é gay. Mas ninguém, que não ele, sabe ou desconfia. Simon não entra em estereótipos e até teve namoradas, mas sabe claramente o que é e espera pela conclusão do secundário para ser um universitário abertamente gay. Quando o blogue da escola revela Blue, um anónimo, como gay, Simon começa a construir com ele uma relação via email. Uma interpretação poderosa de Nick Robinson, ora bem humorada, ora angustiada que mostra que em 2019, ainda não é fácil alguém assumir-se gay.

Tag (2018)

Maio 22, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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A história verídica de um grupo de amigos americanos que jogam ao tag (apanhada) todos os anos, em maio, dando uso aos truques mais loucos, pariu um filme hilariante que junta um belo elenco: Jeremy Renner, Ed Helms, Jake Johnson, Jon Hamm, Hannibal Buress, Annabelle Wallis, Isla Fischer ou Susan Rollins. A história tem pouco que saber. Jerry nunca foi apanhado em anos e anos do jogo e o grupo volta a juntar-se, na altura do seu casamento para o apanhar. Previsível e pateta muitas vezes, acaba por ter meia dúzia de gags que fazem valer a pena gastar mais de hora e meia.

Richard Hendricks é um informático que cria uma app – Pied Piper – que permite comprimir ficheiros como nunca antes. Assim, deixa a Hooli, empresa gigante onde trabalha para, com três amigos, desenvolver a aplicação e procurar a grandeza. O caminho mostra-se difícil e, invariavelmente, hilariante. A Richard (Thomas Middleditch), juntam-se Gilfoyle (Martin Starr), que, acima de Satã, só adora mais fazer pouco dos outros e Dinesh (Kumail Nanjiani), estereotipo do informático que tem fobia de mulheres. O grupo vive na “incubadora” de Erlich (T.J. Miller), um trintão que subsiste graças aos louros de uma app bem-sucedida, vendida há anos e que agora abre as portas de sua casa a jovens com ideias, a troco de 10% das suas empresas. O grupo, ao qual se juntam Jared (Zach Woods), voluntarioso “faz tudo” que trocou uma carreira de riqueza e tranquilidade pela Pied Piper e Monica (Amanda Hall), conhecedora do mercado e interesse romântico de Richard, enfrenta de tudo: concorrência desleal, investidores chanfrados e as suas próprias parvoíces, até chegar ao sucesso. Mais do que tudo, Sillicon Valley satiriza um ecossistema de inovadores vazios e põe o derradeiro geek a ser o herói do dia.

 

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