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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

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Daniel Silva, ex-jornalista americano, filho de pais portugueses, é um fenómeno da literatura policial. Tem um estilo que prende e vicia, muito ao jeito Dan Brown, mas com maior qualidade na escrita. Invariavelmente, temos Gabriel Allon, espião israelita com talento para restaurador de arte, no centro da narrativa, salvando o mundo dos maiores perigos. O perigo da escrita de Silva e das aventuras de Allon é o perigo da repetição. Mas, lendo espaçadamente, as aventuras sionistas são bastante interessantes e uma forma agradável de passar o tempo. Neste novo “O Espião Inglês”, Allon, à beira de se tornar no chefe máximo dos serviços secretos, alia-se a Christopher Keller, assassino a soldo inglês, com experiência militar, para uma verdadeira caça ao homem. Uma viagem alucinante às feridas provocadas pelo IRA e ao assassinato de um antigo membro da Família Real.

A nova etapa de uma série de culto tinha todos os ingredientes para ser arrebatadora. Mas não o é. Os diferentes contextos geográficos ofereciam um pano de fundo capaz de superar a já de si qualitativa versão original, mas os desempenhos são tremendamente fracos e as soluções dos casos sucedem-se demasiado depressa e sem qualquer profundidade psicológica dos criminosos, como nos habituámos a ver. Uma tremenda desilusão. 

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Não faltam livros sobre o Holocausto e ainda assim, a avaliar pela quantidade de grupos organizados com simpatias nazis que populam pela Europa e resto do mundo, parece que eles continuam a fazer muita falta para lembrar à humanidade o requinte de malvadez de um plano que pretendia exterminar uma raça. O Homem foi e continua a ser bárbaro em muitas geografias e de muitas formas mas ali, naquele momento na história, parece ter havido uma intervenção direta de uma força maligna superior que concentrou o terror, em poucos anos.

 

Existem livros de História, de memórias (Se Isto É Um Homem), romances (O Inverno do Mundo) e graphic novels (Maus). Outro subgénero são os livros em que são as crianças a contar a história, sendo o exemplo óbvio, O Diário de Anne Frank. Tivemos depois o Rapaz do Pijama às Riscas ou A Menina Que Roubava Livros. Chegou-me agora à mão este O Livro de Aron.

 

Com uma linguagem simples, própria de uma criança, aterramos na Varsóvia de 1939, na qual os judeus estão confinados ao seu gueto (realidade muito bem explorada por Zimmler em Os Anagramas de Varsóvia), despojados da sua riqueza e dignidade e na dúvida sobre qual será o seu futuro já que nada sabem dos campos de extermínio. É nesta realidade que vive Aron, um menino judeu com cerca de 8 anos, tido pela família com distraído e mal comportado. Na privação do gueto, acaba por se juntar a outras crianças para se tornar contrabandista e assim poder ajudar a sua família, garantindo-lhes comida, através de esquemas e subornos.

 

Multipremiado, este livro é um belo contributo para a história do Holocausto, pelos olhos de uma crianças, seus amigos e família que tentam manter-se vivos e dignos num cenário de pobreza e sujidade.

04 Abr, 2016

A Tenda Vermelha

Num cenário bíblico, o sagrado feminino sai das sombras das tendas das mulheres das tribos judaicas para ganhar voz alternativa numa sociedade patriarcal. Com um elenco de luxo, esta versão televisiva da obra literária de Anita Diamant, apresenta a vida de Diná, filha de Jacó e Lia, mencionada no livro do Génesis. Os tabus da menstruação e do parto, numa narrativa poderosa sobre amor, escolhas, culpa e redenção.