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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

 

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Jessie Burton,  inglesa de 32 anos, estreia-se na escrita com a publicação d´O Miniaturista, um romance histórico passado na Amesterdão de 1686. Nella, uma jovem de 17 anos, acaba de celebrar um contrato de casamento com o rico mercador Johannes Brandt. As suas expetativas são altas. Espera uma vida de glamour na grande cidade. Mas, o marido, mesmo amável, é distante, e a cunhada, habituada a ser a dona da casa, é dura e repressiva. Nem a criada, pouco mais velha do que ela, parece ser grande ajuda na adaptação à nova vida.

 

Perdida e desiludida, Nella acaba por ganhar alento quando o marido lhe oferece uma casa de bonecas, miniatura da sua própria casa. Para a decorar, Nella encomenda peças em miniatura para decorar a casa. Mas, mesmo quando as encomendas terminam, continuam a chegar peças que se revelam presságios.

 

Burton pisca o olho aos fabulosos A Febre das Túlipas e A Rapariga Com Brinco de Pérola, que retraram o dia-a-dia da sociedade holenades do séc. XVII e apresenta um livro bem escrito que nos transporta para o local onde a ação se desenrola e nos faz, ao mesmo tempo, aprender mais sobre a cultura de então e suster a respiração.

 Quatro horas da tarde e o Centro Cultural de Belém fervilhava de gente de todas as idades. Inesperadamente vinham pessoas dos seus 70 anos e de um Portugal de outros tempos, misturados às crianças e aos habitantes de Lisboa e arredores. Formávamos uma massa de gente diferente mas toda ela motivada para beber do espírito irlandês num encenado pub de Cork. Durante quase duas horas fomos levadas pelo sapateado que inundou a terceira classe do Titanic, pela fome e emigração do séc. XIX, pela centralidade dos pubs na vida social irlandesa, pela luta contra a opressão britânica e o espírito dos dias que correm, onde a cerveja é sempre uma constante e a poderosa música irlandesa o pano de fundo. Um espetáculo emocionante, vibrante, musicalmente poderoso, que mistura a força dos homens que não vergam à beleza singela das mulheres que dançam como fadas. Assistir ao Irish Celtic foi regressar ao Temple Bar em Dublin e ao copo de cidra irlandesa, a Glendalough ou Kylemore Abbey com o seu vibrante verde, a Galway ou Limerick, das margens dos rios, dos pubs, das discotecas, regressar ao silêncio profundo da gaita de foles. 

 

11 Fev, 2015

Wiplash (2014)

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Miles Teller, mais conhecido por filmes juvenis do que por outra coisa, arranca aqui uma esplêndida interpretação como Andrew, um jovem baterista, disposto a tudo para ser o melhor. E, o seu talento não passa despercebido ao maestro Fletcher (J.K. Simmons) que, com os seus métodos únicos e agressivos, tudo faz para que o pupilo se supere.

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Amaia (Clara Lago) é uma jovem taxista basca que é deixada pelo noivo à beira do casamento. Como consequência, fica com o coração partido, com múltiplas dívidas e com uma vila inteira a falar nas suas costas. Para esquecer tudo isso, vai passar uns dias a Sevilha. É lá que dá de caras com Rafa (Dani Rovira), um galã de meia tijela, de gel no cabelo e sebo na fala. Apesar disso, o álcool faz milagres e os dois envolvem-se.

 

Acordada na casa da Rafa, a basca não demora a evaporar-se e ele, apaixonado da noite para o dia, vai atrás dela, aterrando numa vila basca, sem preparação. A jovem, de pelo na venta, mando-o regressar para onde veio e Rafa, consternado, fuma um cigarro rumo ao autocarro para Sevilha. Sem querer, provoca um incendio e é confundido com um ativista pró-independência. Começa a comédia.

 

Na prisão, a sua lata e umas boas mentiras, fazem-no ganhar a admiração de verdadeiros ativistas antes que, Amaia o resgate e lhe peça que se faça passar pelo seu ex. O tal que a deixou. É que o pai, homem à antiga, com quem teve de relações cortadas (sim, claro, é um equivoco de Rafa que o faz voltar), volta a casa e a jovem, orgulhosa, não quer dar o braço a torcer. E Rafa tenta ser um basco, quando, na verdade, é um andaluz, raça mais odiada pelo fictício sogro. O filme mais visto de sempre em Espanha é uma comédia romântica previsível mas que tem muita piada, tem.

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Os Irmãos Wachowski (antes Andy e Larry, agora Andy e Lana) têm lugar na história do cinema graças à triologia Matrix (1999 a 2003). Depois disso pouco fizeram. Regressam agora, três anos após sofrível Cloud Atlas, com este divertido Jupiter Ascending.

 

Sem grandes preocupações com a profundidade do tema, colocam Mila Kunis como Jupiter, uma jovem descendente de russos que lava casas de banho em Chicago e odeia a sua vida. Mas, Jupiter é, na verdade, a reincarnação de uma rainha interestelar que, até é dona da Terra, o planeta onde vive e que, para a família Abrasax é só um campo de colheita como outros planetas que dizima. Os seus descendentes – Balem (Eddie Redmayne), Titus (Douglas Booth) e Kalique (Tuppence), pouco fraternos entre si, querem-na morta para depois lutarem entre si pelo controlo da herança. Cabe a Caine (Channing Tatum), um polícia das estrelas com orelhas pontiagudas e asas (???) e a Stinger (Sean Bean) proteger a terráquea. Uma trapalhada? Sim. Divertido? Sim!

 

Com muito humor, efeitos especiais e ação, este Jupiter Asceding não se nega a piscar o olho às suas influências como Os Guardiões da Galáxia, sendo uma estranha mas eficaz loucura espacial, cheia de ritmo. Um filme de aventuras à anos 80 com muitos apontamentos assumidamente foleiros. E, divertidamente, viciante.