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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

Ainda tenho esta cassete, guardada no pó das outras que já não tocam, ou porque o rádio já não tem entrada para a fita que pára e temos de virar, ou porque as memórias doem e mais vale não ir mexer no baú das recordações. No entanto, porque o Verão me é tão nostálgico, lembrei-me deste álbum de Michael Jackson, e dos Verões que tocava na 125 Azul, com os pés de fora, a ansiedade a saltar do peito, e a alegria absoluta da infância regada às possibilidades de um Verão quente e com o rio refrescante ali ao lado, na tua terra F. 

22 Ago, 2014

A Lancheira (2013)

 

Em Bombaim, na Índia, os trabalhadores recebem os seus almoços em lancheiras, vindas de casa e distribuidas por empresas que só existem para o efeito. Tal atividade, só se justificará pela necessidade de dar emprego à numerosa população da cidade.

Em Bombaim, Saajan, um homem víuvo à beira da reforma, recebe uma lancheira que contém uma deliciosa refeição. Estranha tamanha qualidade, já que encomenda a sua comida num modesto e duvidoso restaurante, e só no dia seguinte, voltando a receber a mesma lancheira, percebe que se tratou de um engano. As refeições são feitas por Ila, uma esposa esforçada que todos os dias se tenta superar de modo a agradar ao marido e a reacender a paixão perdida. E, mesmo sabendo do erro, continua a cozinhar para um estranho, porque este se mostra agradecido e agradado com a comida que recebe. Começa então uma troca de bilhetes que tem a lancheira como forma de comunicação. Começa então uma bonita e platónica relação.

20 Ago, 2014

Ginga

 

Apanhei, por acaso, este Damned United a passar num desses canais de filmes. Com um bom cast e com a temática do futebol fiquei agarrado e, em boa hora o fiz. Conta a história do mítico técnico inglês Brian Clough no tempo em que se mudou para o Leeds United, potência da altura e...falhou. Antes disso, tinha conhecido a glória no modesto Derby County e depois venceria a Champions League, duas vezes, com o modesto Nottingham Forest mas, aqui o que mais interessa é a personalidade de Clough, superiormente interpretado por Michael Sheen (um dos melhores atores da actualidade que estrela Masters of Sex após aparições em sucessos como a saga Twilight, Tron ou Meia Noite em Paris). Clough era uma espécie de Mourinho, consciente da sua qualidade e sem medo de a atirar à cara dos outros, mais vezes do que devia. No período retratado começa por ser o treinador do Derby, então na terceira divisão e sobe até à primeira onde é campeão. Mas a sua motivação é derrotar e superar Don Revie, treinador do Leeds que vencera o campeonato com um futebol feio e, mais do que isso, não o cumprimentou num jogo, ignorando-o e ferindo para sempre a sua sensibilidade. Com um bom elenco (tem ainda Timothy Spall ou Stephen Graham, pesos-pesados do cinema inglês) e uma fotografia de grande qualidade, este é um filme a ver. Por apaixonados por futebol e, pelos outros.

 

 

 

 

 

 

Pela paz que lá se vive, dir-se-ia que a Fundação Calouste Gulbenkian é um espaço escondido em Lisboa. Não é. Está mesmo no centro e é bastante imponente. Ainda assim, uma vez lá entrado é possível perder-se na vegetação; deitar-se na relva ou sentar-se no anfiteatro ao ar livre. É o local ideal para ler o jornal ou um livro sem barulho, com sol e com o barulho dos pássaros como fundo. Isto sem falar nas milhentas exposições, livrarias e agradáveis bares. Um programa que não falha e transmite sempre calma e bem estar. Ontem, estavam cerca de 20 pessoas num espaço que daria para 200. A Gulbenkian é um segredo lisboeta à vista de todos.

 

 

Há filmes que sabemos ser prevísiveis e pouco profundos mas não queremos deixar de ver. É o caso de Má Vizinhança. Mac (Seth Rogen) e a bela Kelly (Rose Byrne) são um casal, nos trinta, que deixaram para trás a vida de borga e são um casal respeitável, donos de uma vivenda e pais de um bebé. Essa tranquilidade a roçar o aborrecimento é quebrada quando para a porta ao lado se muda uma fraternidade liderada por Teddy (Zac Efron). Tentando ser cool, o casal torna-se amigo dos jovens vizinhos, permitindo-se até a algumas festas bem regadas e fumadas mas, quando o barulho e as festas loucas se tornam no prato do dia, ameaçando o sono da bebé, o casal traça um plano maquiavélico para expulsar esta má vizinhança. Destaca-se a química entre Rogen e Byrne; o registo habitual mas eficaz de Rogen e o belo papel de Efron. Tudo é previsível mas que tem piada, tem.

Há uns anos tive a oportunidade de ver este filme baseado na obra de Stephen King The Body, sem ter fixado o nome. Um destes dias, no acaso de uma manhã, encontrei-o no canal Hollywood. Trata-se de uma história poderosa sobre a adolescência na romântico-depressiva América profunda dos anos de 1950 e a aventura de um grupo de jovens em busca do corpo de um rapaz desaparecido. Mais do que a busca por um corpo é um encontro com os seus medos, angústias, expectativas. Detalhes de um tempo que marcam as identidades e fabricam as memórias de um narrador que nunca saiu daquele Verão e que tem, forçamente, de o contar. 

21h30 cinema Nós Amoreiras. Antestreia d'A Viagem dos Cem Passos. Sala composta e com uma maioria hindu a condizer com os propósitos de uma comédia com todos os aromas e temperos da culinária hindu. A Viagem dos Cem Passos lembra-nos A Gaiola Dourada, ao colocar em palco francês os matizes de um povo emigrado, com as suas peculiaridades, os seus temperos e costumes, ao mesmo tempo que toca no problema do racismo, na beleza da paisagem e no requinte da culinária gaulesas. As aventuras de uma família em exílio numa aldeia francesa e a emergência de um chef inesperado, com um toque de humor e nostalgia, que nos recorda que a comida é também ela uma viagem intensa e uma excelente ponte intercultural. Uma história de amor entre a paisagem e a cozinha, entre a beira do rio e os talheres, uma guerra entre o caril e os molhos franceses, com uma boa fotografia. Vale a pena.

14 Ago, 2014

Snowpiercer (2013)

 

 

 

Num futuro próximo, a Terra está congelada e a vida extinguiu-se quase por completo, após uma última tentativa de eliminar o aquecimento global. Os únicos sobreviventes vivem, há 17 anos, num comboio gigante que anda sem parar à volta do planeta. Lá dentro, há uma sociedade de classes bem definida. Os mais ricos e poderosos vivem na frente e os mais pobres e desprotegidos vivem lá atrás. É claro que, os oprimidos querem conhecer o resto do comboio e ter acesso à frente do comboio. É disso que Curtis (C. Evans, o Capitão América) se quer assegurar, pensando, desde a primeira cena, na forma de materializar a revolta. Consegue-a, com a ajuda de Namgoong (Kang-ho Song), que desenhara as portas do comboio e que não se importa de revelar os seus segredos em troca de droga. Segue-se pois a invasão, vagão a vagão, com tremendas cenas de pancadaria, negras e cruas, não fosse o realizador coreano. No fim, Curtis quer encontrar Wilford (Ed Harris), o rei do comboio. E encontra. Tremenda experiência cinematográfica que conta, para além dos efeitos e de um ambiente negro, com a participação de Jamie Bell (Tintin), Tilda Swinton (Eu Sou O Amor), John Hurt (V For Vendetta) ou Octavia Spencer (As Serviçais).

 

 

 

Harold Fry é um respeitável reformado inglês que decide fazer 1.000 quilómetros a pé para visitar uma amiga moribunda. Passo a explicar. Fry, reformado há poucos meses de uma fábrica de cerveja na qual era comercial, passando dias a fio num carro sem tocar a vida de ninguém, tem uma vida tédio, em casa, sem nada que fazer, tendo como companhia a mulher Maureen, com quem já se deu melhor e Rex, um solitário e chato vizinho viúvo. Um dia, enquanto tomava o pequeno-almoço, recebe uma carta de Queenie, uma antiga colega de trabalho que não via há 20 anos. A pobre senhora está a morrer de cancro, numa aldeia semelhante à sua mas, a 1000 quilómetros de viagem. Transtornado, apressa-se a escrever de volta. E, de gravata, casaco e com os seus sapatos de vela, sai de casa para colocar a carta no correio. No entanto, falha esse simples objectivo, já que, decide andar até Queenie. É isso mesmo, após uns quilómetros, encontra uma jovem empregada de uma bomba de gasolina (onde come, pela primeira vez um hambúrguer trazido à vida pelos poderes de um microondas) que lhe fala sobre a importância da fé. É este o clique que o faz decidir ir a pé até Queenie, pedindo-lhe que viva até à sua chegada, acreditando que a sua caminhada fará a amiga viver mais e, quem sabe, livrar-se da doença. E é assim, quase de ânimo leve, que um reformado inglês começa a aventura de uma vida, na qual, terá tempo para pensar em tudo o que foi a sua vida e nos falhanços que teve como marido, pai e amigo e naquilo que sofreu como filho...marido, pai e amigo. É isso mesmo: a caminhada de Fry rumo a Queenie é mais uma caminhada de Fry rumo a Fry. Pelo caminho, vão aparecendo uma série de personagens que dão força a Harold rumo ao objectivo. Um livro tocante que parece ser simples mas sabe sempre dar coices ao leitor nos momentos certos.

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