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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

Das weisse band conta a história do nascimento do nazismo, fenómeno cuja explicação me fascina, quase tanto como o resultado me horroriza e enoja. Michael Haneke, conceituado alemão, responsável por fitas como A Pianista (2001) ou Amor (2012), faz-nos viajar a uma pequena vila alemã, num filme a preto e branco, onde estranhos acontecimentos têm lugar. Estamos no pré I Guerra Mundial e Haneke tenta explicar como é que uma sociedade conservadora e fria para as suas crianças pode criar adultos...monstruosos.

Invariavelmente os filmes marcam-nos não apenas pelos temas mas pelo período da nossa vida em que são vistos. Back to the Future é um dos primeiros filmes que vi, se não estou em erro, e vi-o apaixonadamente. Esta obra prima do género, assinada por Robert Zemeckis e produzida pelo incontornável Steven Spielberg e estrelada por Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover e Thomas F. Wilson, data de 1985, tinha eu um ano portanto. Lembro-me de desejar ter um skate como o de M. J. Fox.

300 apresentou dois nomes ao mundo: Gerard Butler e Zack Snyder. O primeiro, escocês bem parecido, lançar-se-ia numa bela carreira, misturando comédias românticas como Fintar o Amor (2012) ou PS: I Love You (2007) com filmes de ação como Rock n´Rolla(2008) ou Assalto à Casa Branca (2013). Já Zack Snyder, um dos mais interessantes realizadores dos últimos anos, prosseguiu com uma série de filmes únicos, de visual muito próprio, como Watchmen (2009) ou Sucker Punch (2011), tendo depois realizado Homem de Aço (2013), a última aparição do Super Homem nos cinemas. 300 conta a lenda da Batalha de Termópilas, na qual 300 espartanos terão enfrentado um exército persa com milhares de soldados. Vemos a vida de Leónida, rei de Esparta, desde o nascimento até à morte em batalha. Marcante pelo visual sombrio e técnicas de filmagem inovadoras à data, 300 fica marcado por um punhado de cenas: aquela em que o jovem Leónidas é deixado sozinho numa floresta para se tornar num homem, tendo que matar um lobo, de noite, para voltar a casa; aquela em que os emissários persas são mandados poço abaixo sob o grito "This is Sparta" ou, ainda, o ataque noturno dos Imortais, força especial do exército persa. Um filme único, que vale pelo visual mas, também, pela história de coragem.

 

Freedom Writers é um monumental filme de Richard LaGravenese, baseado numa história verídica, que nos arrasta para o falhanço do sistema educacional público norte-americano, para as tensões raciais, para os gangues, para o coração de uma grupo social sem esperanças e onde a inteligência conta pouco. A coragem de uma professora de inglês que se recusa a seguir a corrente do status quo e arregaçando as mangas oferece aos jovens um lugar para se libertarem das amarras sociais e para no reencontro consigo mesmos olharem a vida com outra perspetiva. Uma lição. O cinema na sua função social.

Cale (Channing Tatum) leva a filha Em (Joey King) a visitar a Casa Branca naquela que não será uma visita normal. É que a casa mais segura do planeta é tomada por um grupo de mercenários liderados por Stenz (Jason Clark). Cale, sem saber onde está a filha, acaba lado a lado com o Presidente Sawyer (Jamie Foxx) a protegê-lo e a fazer tudo por tudo para recuperar o controlo do centro dos EUA. Um sólido filme de ação que nos mostra o interior e a história da Casa Branca, ao mesmo tempo que a vai destruindo. Se bem que previsível, é bem superior a Assalto à Casa Branca, do mesmo ano e com a mesma temática.

 

Trailer

Primeiro eles vieram atrás dos comunistas,
E eu não protestei, porque não era comunista;

Depois, eles vieram pelos socialistas,
e eu não disse nada, porque não era socialista;

Mais tarde, eles vieram atrás dos líderes sindicais,
E eu me calei, porque não era líder sindical;

Então foi a vez dos judeus,
E eu permaneci em silêncio porque não era judeu;

Finalmente, vieram me buscar,
E já não havia ninguém que pudesse falar por mim.

-- Martin Niemöller

O cinema francês é pródigo em gerar pequenas pérolas. Este O Nome da Discórdia, é mais uma. Pierre e Babu são um casal francês que se prepara para receber Vicent, irmão de Babu, Anna, sua mulher e Claude, amigo da família. Babu, após deitar os filhos, vai terminando o repasto (buffet marroquino para horror de todos) enquanto os convidados vão chegando. Para irritar o cunhado, Vicent resolve anunciar que o seu filho, a caminho, se chamará Adolphe ou mesmo Adolf. E esta pequena brincadeira irá desencadear uma série de acontecimentos que vão dividir o grupo e revelar segredos há muito escondidos. Um filme muito divertido e ainda mais inteligente que não sai da sala do casal e ainda assim nunca perde o ritmo.

 

Trailer

Boot Camp (2007), estrelado pela lindíssima Mila Kunis, Peter Stormare e Gregory Edward Smith, é um poderoso e revoltante thriller sobre a experiência do "amor duro", modelo de recuperação de jovens considerados problemáticos, inaugurado na década de 1970. Treino militar, violência física e psicológica, num programa que condena os jovens a uma programação mental mais do que a uma recuperação de maus hábitos. A perpetuação destes campos - que levam ao extremo um projeto de "reabilitação escutista", chamemos-lhe assim - é motivo mais do que suficiente para este filme, ao mesmo tempo que revela tão bem e também a profunda incoerência e falência do modelo social e pedagógico norte-americano. Carlos M. Reis classica o filme como uma mistura de “Battle Royale” com “The Island of Dr. Moreau”, os quais não conheço. Um filme que merece a pena ver.

Uma História Simples (1999), realizado por David Lynch, é uma comovente e simples narrativa, baseada em factos verídicos, sobre a viagem de um homem de 73 anos ao encontro do seu irmão gravemente doente, usando como locomoção um cortador de relva. São 500 km em 6 semanas, em torno de fantasmas do passado, de encontro consigo mesmo, de etnografia da América rural e perdida no tempo, e com uma fotografia de grande qualidade. A prova de que a história mais simples, filmada da forma mais singela, é capaz de produzir cinema de qualidade.