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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

O canal Hollywood permite-nos rever velhos filmes que nos marcam ou encontrar pérolas desconhecidas. Este Outsourced, de 2006, coloca-nos no coração da globalização e do capitalismo, em que as empresas centradas unicamente no lucro desterritorializam as suas fábricas ou escritórios para mercados emergentes, pagando salários baixíssimos e usufruindo de uma mão-de-obra empenhada. O mercado indiano atrai as empresas de call center e são precisamente essas as retratadas nesta história que traça um roteiro pela Índia e pelos seus costumes para além do olhar filtrado do turismo, e que obriga um americano em busca da ocidentalização dos locais a inverter o processo e a indianizar-se a reboque de um inesperado amor e de um espírito hospitaleiro que o toca e o atrai. Recomenda-se.

 

Lembro-me da minha professora de História do oitavo, décimo e décimo primeiro ano, falar deste livro como um dos seus favoritos. Por muito que a admirasse, e admirava, só agora, tantos anos depois me aventuro na sua leitura. Escrita por Donna Woolfolk Cross, a história, em português, já vai na 13.ª edição, tendo a primeira sido de 2000, quatro anos após a edição original.

 

Cross, norte-americana, pesquisou sete anos para escrever a saga de uma jovem inteligente e ambiciosa que se fez passar por homem para entrar para o clero, tendo ascendido até ao topo da hierarquia. Trata-se de uma história não totalmente comprovada mas, a lenda, é, sem dúvida, interessante. Em 2009, a história foi adaptada ao cinema, num filme de fraca qualidade.

Benedict Cumberbatch (Sherlock, Além da Escuridão ou O Quinto Poder) protagoniza esta mini-série de cinco episódios, como Christopher Tietjens. Um aristocrata inglês, verdadeiro cavalheiro que se deixa "apanhar" por uma oportunista, a esposa infiel e inconstante, Sylvia (Rebecca Hall, a Vicky de Vicky Cristina Barcelona) e, mais tarde se apaixona pela jovem, doce e ativista pelos direitos das mulheres, Valentine (Adelaide Clemens) formando um triângulo amoroso moralmente criticável, sobretudo aos olhos do próprio. No pré I Guerra Mundial (a ação começa em 1908), Tietjens, profudamente conservador, vai resistindo e assitindo, às mudanças da sociedade inglesa (sufragismo, luta de classes e declínio da aristocracia), culminando com o conflito de 1914-1918, que o muda, e ao mundo, para sempre.

 

Ao mesmo tempo que Londres é bombardeada pelas forças nazis, uma série de assassinatos misteriosos vai acontecendo por toda a cidade. O jovem médico legista Lennox Collins (Patrick Kennedy) e a sua assistente Molly (Tamzin Merchat de Os Tudors) chamam a si a responsabilidade de apanhar o criminoso, recorrendo à inovadora ciência do primeiro e à coragem da segunda. Um telefilme, com visual que lembra as BD´s dos anos 50, é muito interessante, apresentando uma visão original da Londres de 1940.

27 Jan, 2014

Hitchcock (2012)

Sir Anthony Hopkins vestiu, em 2012, a pele de Sir Alfred Hitchcock, vulto maior da sétima arte. Só um monstro da representação estaria à altura de tal tarefa. E a interpretação do galês, não desilude, desde a voz, gestos e características físicas até à personalidade do inglês, autocentrado apesar do profundo amor à mulher Alma (grande papel de Helen Mirren), obssecado pela sua arte e apaixonado pelas suas atrizes. O filme centra-se em 1959, quando, Hitch, enfadado, vê no duvidoso livro Psycho, a oportunidade de fazer um filme diferente que demonstre o seu génio. Sem o apoio financeiro dos estúdios, avança ele próprio com o dinheiro, hipotecando a sua casa, avançando para um filme em que poucos acreditam, tendo o próprio, dúvidas. A cena do chuveiro, até hoje uma das mais marcantes do cinema e a campanha de marketing criada por Hitch, levaram o filme a ser o maior sucesso da sua carreira. Carreira que inclui grandes marcos da história do cinema como Os Pássaros; Intriga Internacional; A Mulher Que Viveu Duas Vezes; O Homem que Sabia Demais ou Chamada para a Morte.

Ouvi dizer bem do livro e não o li. Ouvi dizer mal do filme mas vi-o. Comboio Nocturno para Lisboa, baseado no livro de Pascal Mercier, parece mais um telefilme de segunda do que um filme de qualidade que se espera quando se vai ao cinema. Aos comandos está Billie August, que regressou à luz de Lisboa 20 anos depois de A Casa dos Espiritos, a contar a história de Raimund (Jeremy Irons), um professor suíço que impede uma desconhecida de se suicidar. Pouco depois, a estranha personagem desaparece mesmo, deixando para trás um casaco vermelho, um livro que cativa Raimund e um bilhete de comboio para Lisboa. Normalmente racional, Raimond deixa tudo para trás e vai para Lisboa, para descobrir a identidade da mulher e, sobretudo, para perceber quem era Amadeu (Jack Huston), escritor do livro que devora e com o qual se identifica como nenhum antes, mesmo sendo professor de literatura. Nem mesmo a presença de Mélanie Laurent salva esta pessegada. August Diehl; Bruno Ganz; Marco D´Almeida; Beatriz Batarda; Christopher Lee; Charlotte Rampling ou Nicolau Breynar integram um elenco  mal aproveitado. Lisboa merecia mais.

22 Jan, 2014

Infiltrado (2013)

Dwayne Johnson, antes conhecido como The Rock, interpreta, e bem, a história verídica de John Matthews, um americano que subiu a pulso até ser dono de uma empresa de sucesso na área do transporte de materiais de construção. O seu dia-a-dia de trabalho é interrompido pela súbdita detenção do filho por tráfico de droga. Jason enfrenta uma pena de dez anos de prisão e a única forma de atenua-la é entregando traficantes de droga às autoridades. John faz um acordo com a procuradora Joanne Keeghan (Susan Sarandon) e sem saber como, deve entregar às  autoridades El Topo, um conhecido traficante mexicano. Filme interessante que prova que, muitas vezes, a realidade supera a ficção.

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