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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

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Christopher Nolan conquistou o mundo em 2000, com Memento. Continuou com O Terceiro Passo ou A Origem, intercalando com a mais recente e aclamada trilogia de Batman, em especial nos dois capítulos finais onde criou um Batman mais humano e vilões mais cruéis que nunca. Regressa agora, com este fabuloso Interstellar, que se arrisca a ser o filme do ano, ou seja, a ser banhado a ouro por uma pequena estatueta.

 

Nolan leva-nos ao Planeta Terra, algures num futuro não muito distante, onde a comida escasseia e grande parte da população se tornou agricultora para fazer face a esse flagelo. Mas, as sucessivas plantações vão tendo insucesso e percebe-se que, a cada dia que passa o planeta se torna inabitável. Neste ponto, o fim iminente do planeta tem como metáfora o pó. Pó aos quilos que tudo cobre como que a dizer aos homens que "ao pó voltaremos".

 

É neste cenário que vive Coop (M. McConaughey), antigo engenheiro e  astronauta, agora transformado em agricultor, uma vez que o conhecimento já não é valorizado, já que falta pão. Coop vive na sua quinta onde cultiva milho (todas as outras culturas falharam). Vive com o seu sogro Donald (John Lithgow), filho Tom (Tim Chalamet depois Casey Affleck) e filha Murph (McKenzie Foy depois Jessica Chastain, ambas fabulosas) que partilha o seu amor pela ciência e que se percebe ser uma criança extraordinária.

 

Um dia, quase por acaso (saberemos depois que isso é coisa que não entar nesta fita) través de uma estranha força no quarto da filha, que ele descreve como gravidade e ela como um fantasma, Coop e Murph são atraídos para um lugar perdido no meio do nada. Trata-se da NASA, numa nova versão  secreta onde Cooper conhece Brand (Anne Hathaway) e reencontra o pai desta, Professor Brand (Michael Caine) seu conhecido dos tempos de astronauta. E é aí que Cooper é escolhido para chefiar a equipa que irá explorar o espaço em busca de um novo lar para a raça humana. Lá está, não há coincidências aqui. A missão estava à sua espera, mesmo que ninguém o soubesse. É assim que Cooper deixa para trás os filhos, na esperança de ajudar a salvar o seu mundo. Anos antes, haviam sido enviados para o espaço 12 pioneiros. Cada um foi ter a um planeta e a missão de Coop e companhia é visitar os três mais promissores, encontrando nova casa para o Homem. O plano A é levar os homens que já existem, o B, mais provável, é o de criar uma colónia com embriões.

 

E é aqui que tudo começa. Nolan presenteia-nos com imagens e silêncios que misturam, na perfeição, os mundos de Stanley Kubrick (muitas vezes, parece que temos uma atualização da sua Odisseia no Espaço até com os robos falantes) e de Terence Malick, realizando aquele que será um dos filmes do ano e uma ode aos limites da sobrevivência humana e do desconhecido. Em quase três horas, temos momentos mortos e chatos; temos cenas e grande emoção e temos sempre uma narrativa sólida que sabe para onde vai (e o final é fantástico), mostrando-nos uma ideia de desconhecido. Genial.