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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

04 Dez, 2013

A evasão

 

Fui desafiado pelo colega de casa virtual a escrever sobre os livros do ano, como ele próprio fez, e bem, em resposta a este repto. Cá vai.

 

Como é habitual, este ano, li cerca de 20 livros. Não me lembro de todos, é certo, mas sei bem qual o que mais gostei. Já lá vamos. Eventualmente.

 

O ano começou com O Inverno do Mundo, segunda parte da triologia de Ken Follett, que ameaça ser a sua obra prima, superando Os Pilares da Terra. Isto diz tudo.

 

Antes do verão, deliciei-me com Dentro do Segredo, crónica da viagem de J.L. Peixoto à Coreia do Norte e com a reunião de alguns contos/crónicas seus em Abraço. Dentro das escritas em português, lembro-me, ainda, do sofrível A Mão do Diabo, no qual, J.R dos Santos se propunha a explicar as causas da crise.

 

No verão, nas duas semanas passadas na costa alentejana natal, li policiais suecos. A Princesa de Gelo, Os Diários Secretos e Ave de Mau Agoiro, todos de Camilla Lackberg, sucessora no meu coração do malogrado Stieg Larsson. Do mesmo género e nacionalidade, ainda me aventurei nos escritos de qualidade de Mons Kallentoft mas, não terminei, ainda.

 

No pós-verão, aventurei-me no fantástico A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, escrito por um jovem de 24 anos e que explora tanto um misterioso crime, como o processo criativo da escrita. Depois, embrenhei-me em Como Deus Manda, que conta a história crua e cruel de um adolescente italiano e do seu pai criminoso.

 

Esperei por novembro para ficar totalmente arrebatado. Do mesmo J.R. dos Santos que não me conquistara com A Mão do Diabo, li a vida e obra de Calouste Gulbenkian. A primeira parte, O Homem de Constantinopla, já é muito interessante, revelando a infância e vida adulta do milionário arménio.

 

Mas, na hora de eleger o livro do ano, não hesito. Ganha Um Milionário em Lisboa. Não é o mais bem escrito, não é uma história surpreendente ou sequer original mas conseguiu alcançar aquilo que mais procuro quando leio. A evasão.

 

Um português, em 2013, quer uma pausa na realidade quando pega num livro. Nestas boas centenas de páginas, acompanhei as aventuras de Krikor no meio do genocídio arménio e a vida de seu pai em Portugal. Uma vida de luxo, astúcia e de procura constante pela beleza, como sentido da vida.

 

A literatura para mim é isto, evasão. No meu sofá, durante uns dias, gritei e lutei contra  as atrocidades cometidas pelos turcos em 1915; vivi num hotel de luxo no centro de Lisboa; fui implacável nos meus negócios de petróleo e comprei algumas das mais belas e caras obras de arte do mundo.

 

Assim, esqueci as mortes na família, a falta de dinheiro, as depressões e tudo o resto de que me queria libertar por momentos.

 

Nas páginas deste livro, evadi-me.

 

03 Dez, 2013

Leitura do Ano

Chegamos a dezembro e não há como escudar-nos à reflexão do ano que se finda. Este que é um blogue sobre livros, filmes e outras artes, não poderia passar ao lado da reflexão, respondendo ainda ao desafio anfíbio. Leituras científicas e obrigatórias à margem, andei muito este ano pela paisagem sueca, com Camilla Lackenberg e Mons Kallentoft. Ainda assim há que confessar que leio sempre muito menos do que o desejado. Não obstante, não posso deixar de considerar que o mais relevante ou recomendável livro que li este ano é Madrugada Suja de Miguel Sousa Tavares. Não pela prosa, por qualquer demorada descrição da vida, das portas que se desprendem das paredes com o tempo, ou por causa das noites frenéticas de um português com uma alemã, nem ainda pelo acerto do destino entre dois jovens que uma trágica madrugada uniu definitivamente. Madrugada Suja não é isso. Este nem é um romance de MST, é uma crónica a páginas muitas, onde somos confrontados, com grande realismo, com o mundo das offshores, da promiscuidade entre empresas e interesses financeiros e o poder autárquico e nacional, dos favores, dos subornos, da corrupção, dos maus investimentos dos dinheiros europeus, dos oportunistas, dos cidadãos que se deixaram levar pelas promessas do capitalismo, dos bancos que venderam o Inferno aos seus compatriotas. Um retrato do Portugal desde de 1974. Obrigatório para os cidadãos que se demitiram do seu papel de controladores da governação (e para os outros também). Porque há um Portugal cujas raízes estão podres.

Um ano depois de vencer a 74.ª edição dos Jogos da Fome, Katniss e Peeta são chamados a fazer uma tourné pelos 12 distritos de Panem, de forma a serem celebrados e usados como propaganda do regime do Presidente Snow.

 

No ano anterior, haviam sido selecionados para os Jogos, um reality show sádico, onde dois representantes de cada um dos 12 distritos são lançados numa arena para se matarem. Só deveria ter sobrevivido um mas, os dois fingem apaixonar-se e, para desagrado de Snow, acabam por ser declarados vencedores. Agora, sob pena de verem as suas famílias assassinadas, têm que voltar a fingir-se apaixonados, sendo uma distrição para os distritos mais pobres onde a vontade de revolução contra o regime tirano, cresce de dia para dia.

 

A tourné é interrompida quando se decide fazer uma edição especial dos Jogos, no qual todos os antigos vencedores devem participar. Katniss e Peeta vêm-se metidos no meio de mais uma matança, tendo que procurar aliadas dentro de uma nova e mais desafiante arena.

 

Um filme juvenil mas bem escrito, interpretado, com bons efeitos e com ideias muito interessantes.

02 Dez, 2013

O Conselheiro


Ter milhões de dólares, um realizador de topo e um elenco de luxo não chegam para fazer um bom filme. O justamente aclamado Ridley Scott (Alien, O Gladiador ou Blade Runner ) apresenta este filme estrelado por Cameron Diaz, Penelope Cruz, Brad Pitt, Hugo Ganz, Michael Fassbender e Javier Bardem. É uma grande desilusão. Trata-se de um exótico filme sobre crime que nada diz e nada acrescenta. A personagem de Fassbender e a de Bardem arquitetam forma de fazer contrabando de droga, no entanto, o assassinato do filho de uma poderosa criminosa, atira-os para o precípicio. Tudo isto embrulhado em cenas excêntricas e demasiado impenetráveis. Demasiado fraco.

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