Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

Notícias do Mundo (2020)

Fevereiro 24, 2021

Francisco Chaveiro Reis

24newsoftheworld-superJumbo-v2.jpg

Na América rural de 1870, o Capitão Kidd (Tom Hanks), veterano da Guerra Civil, faz da sua profissão ser um leitor de jornais itinerante. Lê para quem não sabe ler ou não pode comprar jornais, por falta de tempo ou oportunidade. E lê, como quem conta a mais interessante das histórias, numa versão possível de entretenimento para quem trabalha de sol a sol no nascer de uma nova nação. Mas, o próprio dá de caras com notícias intrigantes. Uma menina perdida cai-lhe no colo. Ficamos a saber que os pais foram assassinados quando era bebé e que os índios que os mataram, adotaram a pequena, fazendo dela, uma deles. Chegando a vez da sua tribo ser também ela assassinada, Johanna (Helena Zangel), fica ao cargo de Kidd, que se compromete a leva-la durante mais de 600 quilómetros, para a deixar ao cuidado dos tios, criando uma relação forte pelo caminho, enquanto o estranho duo enfrenta perigos e provações.

Your Honor (2021)

Fevereiro 23, 2021

Francisco Chaveiro Reis

YourHonor_101_9795_R.jpg

Em Nova Orleãos, vemos um miúdo branco, nervoso, ir deixar uma moldura de uma mulher a um bairro pobre, negro. Não é bem recebido e rapidamente volta para onde veio. Percebemos depois que era a fotografia da mãe, colocada no local onde, exatamente um ano antes, fora assassinada. À pressa e com um ataque de asma, perde a atenção e quando dá por si, bate numa mota. Em momentos demasiado gráficos, vemos que o miúdo branco que atropelou não irá sobreviver. Adam (Hunter Doohan), tenta ajudar, mas depois de assistir aos últimos momentos de Rocco (Benjamin Wadsworth), foge. Acaba por contar tudo ao pai, Michael (Brian Cranston), juiz respeitado e imagem perfeita da justiça, numa terra de corrompíveis. É já na esquadra, quando Adam está prestes a entregar-se que Michael vê Jimmy Baxter (Michael Stuhlbarg) chorar a morte do filho. Jimmy é quem mais manda no mundo do crime de Nova Orleões e Michael logo percebe que tem que esconder tudo o que aconteceu começando uma épica jornada para proteger o filho. Uma das séries do ano, que não terá sequência, mas que vale por várias temporadas, num retrato de amor paterno, mas também dos pobres do sistema do Luisiana e dos extratos da sociedade de Nova Orleões. Imperdível.

I Care A Lot (2021)

Fevereiro 22, 2021

Francisco Chaveiro Reis

1000.jpg

Marla Grayson (Rosamund Pike) é uma mulher ambiciosa, inteligente, sofisticada e muito focada. Quer ser mais rica e mais poderosa e faz do seu ofício, cuidar de idosos que já não podem cuidar de si, usando a lei americana para tornar legal, a sua suprema sacanice. É uma oficial, o que na prática, no seu caso, consiste em coloca-los num lar e ficar com o resto das suas posses. Quando escolhe a próxima vítima, não tem em conta que a culta e abastada Jennifer Peterson (Dianne West) é, na verdade, a mãe de um perigoso mafioso russo que não gostará nada de ver a progenitora enganada e, pior, os seus diamantes roubados. É assim que Roman (Peter Dinklage), começa, com toda a calma que consegue, a fazer de tudo para dobrar Marla, que nunca deixará de ser uma adversária à altura. Mais um papel superior de Pike, numa comédia negra a não perder.

Guns Akimbo (2019)

Fevereiro 18, 2021

Francisco Chaveiro Reis

Guns-Akimbo.jpg

Daniel Radcliffe nunca conseguiu descolar-se da personagem de Harry Potter, que o apresentou ao mundo e lhe deu fama e fortuna. Mas, de quando em vez, vai fazendo filmes interessantes, mesmo que completamente fora da caixa, como este Guns Akimbo. Aqui, Daniel é Miles, um Zé Ninguém, que se vê envolvido num torneio mortal, ao estilo de videojogo, com transmissão em direto e milhões de fãs. Depois de irritar quem não devia, acorda com duas armas literalmente embutidas nas mãos e com a missão de matar Nix (Samara Weaving), sob pena de ser morto. E, claro, para um Zé Ninguém, sem qualquer talento bélico, já será difícil vestir um par de calças com os novos acessórios, quanto mais aniquilar uma adversária experiente. Uma espécie de Eduardo Mãos de Tesoura demente, Guns Akimbo, bem acompanhado por uma grande banda sonora, é diversão garantida.

Mulherzinhas (2019)

Fevereiro 15, 2021

Francisco Chaveiro Reis

transferir.jpg

Nomeado ao Óscar de Melhor Filme, em 2020, a nova versão de Mulherzinhas, livro clássico de 1868, é um triunfo, assinado por Greta Gerwig, atriz feita realizadora de sucesso (Lady Bug). Nos papeis centrais, de irmãs unidas e a crescer nos tempos da Guerra Civil Americana, estão Saoirse Ronan como Jo, determinada, feminista, independente e aspirante a escritora; Emma Watson como a doce Meg, que quer um marido e uma vida simples; Florence Pugh como a mais rebelde e ambiciosa Amy e Eliza Scanlen como a talentosa pianista e pináculo do altruísmo, Beth. Como amigo próximo e catalisador de paixões, temos Timothée Chalamet, como Laurie. A história, é conhecida mas Gerwig conseguiu dar-lhe um toque mais moderno, lembrando que como então, hoje, não há papeis destinados apenas a um sexo.

Wandavision (2021-?)

Fevereiro 11, 2021

Francisco Chaveiro Reis

wandavision-diferente-de-tudo-do-mcu_3sxn.jpg

Wandavision, produto Marvel para a Disney +, será uma das séries mais originais do ano e dos últimos anos. Mesmo tendo dois heróis Marvel no centro – Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) e Vision (Paul Bethany) – Wandavision foge à típica ação de super-heróis contra vilões em busca de dominar o Mundo. Primeiro, o tempo. Nos dois primeiros episódios, por muito que desconfiemos que há ali camadas escondidas, estamos nos anos 50 e 60 e o casal, a tentar ambientar-se a um novo bairro, está metido numa sitcom de época, com direito a piadas datadas, piscares de olho para a camara e palmas enlatadas. Esteticamente muito bem feito, nada parece fazer a ponte com o universo Marvel. Depois, a partir do fim do segundo episódio e sem que o tempo deixe de andar, ao ritmo de quase uma década por episódio, começamos a perceber que a cidade pitoresca onde Wanda e Vision vivem não existe de facto ou pelo menos foi manipulada, sendo transformada numa espécie de Truman Show incessante e, controlado por Wanda. E o jogo começa a abrir, revelando um vilão…surpreendente.

Ladrões com Estilo (2019)

Fevereiro 10, 2021

Francisco Chaveiro Reis

ladrões.jpg

Quando Ivan (Theo James), um ladrão de arte, bonito e inteligente, encontra uma atriz sem sucesso, ainda mais bonita do que ele e sem grandes reservas de moralidade, Elyse (Emily Ratajkowski), é inevitável que os dois se juntem, para um golpe. E o alvo, é Dimitri (Fred Melamed), um barão do crime que tem vindo a usar os talentos de Ivan, que é como quem diz, aproveitar-se dele. Com o FBI, colecionadores de memorabilia nazi e um irmão com problemas mentais pelo meio, Ivan tenta dar o derradeiro golpe. Divertido.

It´s a Sin (2021)

Janeiro 26, 2021

Francisco Chaveiro Reis

transferir.jpg

Em tempos de pandemia, a HBO estreia uma série dramática sobre a pandemia que bateu à porta da Londres dos anos 80, a Sida. Não que a doença fosse exclusiva ou tivesse começado ali mas é nesta realidade que aterramos para conhecer um grupo de homossexuais (e uma sua amiga, heterossexual), no inicio da sua vida adulta, recém libertados das amarras da suas famílias conservadoras e prontos para mil e uma noites de farra, com muito sexo desprotegido pelo meio. Richie (Olly Alexander), estudante de direito que quer ser, afinal, ator e deixou para trás a Ilha de Wigh; Roscoe (Omari Douglas), que foge da família nigeriana que o quer “curar” ou Colin (Callum Scott Howells) que vem de uma terriola galesa, acabam a viver juntos, na companhia de Jill (Lydia West), também ela aspirante a atriz.

É quando Colin, empregado numa loja de roupa, nos apresenta o seu colega Henry (Neil Patrick Harris), um gay mais velho e com uma relação de mais de trinta anos, que percebemos que algo está mal. O seu companheiro desaparece de vista e Henry acaba num hospital, isolado e deixado para morrer, com o tipo de manchas na cara que, nós, em 2021, já conhecemos bem e vimos representadas, desde logo, em Filadélfia ou Anjos na América. Ao mesmo tempo, à medida que os rapazes prosseguem a sua vida mais (Richie e Roscoe) ou menos (Colin) animada, não param de chegar dos EUA notícias de uma nova praga e em Londres, o cerco vai apertando.

Esta é a nova série de Russel T. Davies, que viveu a época na sua pele de homossexual e que lembrou, no lançamento, aquilo que viu: "Há coisas que não posso dizer aqui. Homens cujos nomes não me atrevo a revelar. O primeiro homem com quem tive sexo. O homem que amei durante três meses em 1988. O amigo hilariante com quem passei uma semana louca em Glasgow. Agora estão todos mortos. E todos eles morreram vítimas da Sida. Mas não posso dizer os nomes deles porque as famílias disseram que eles tinham morrido de cancro ou de pneumonia e ainda hoje mantêm essa história. O estigma e o medo sobre o HIV era tão grande que uma família muitas vezes sujeitava-se a décadas de luto sem nunca revelar o que realmente tinha acontecido", escreve o argumentista no seu texto publicado no jornal britânico "The Guardian".

Normal People (2021)

Janeiro 11, 2021

Francisco Chaveiro Reis

ssmsmsms.jpg

Quem tiver alguma paciência para alguns momentos mortos e tolerância a uma dose extrema de melancolia, vai deliciar-se, como eu, com Normal People, que promete ser uma das séries mais marcantes de 2021.

Disfarçada de história de amor juvenil, Normal People mostra-nos a vida de Marianne (Daisy Edgar-Jones) e de Connell (Paul Mescal) desde o secundário, em Sligo até à universidade, em Dublin. Ela é inteligente, rica, bonita (mas não sabe e ninguém parece reparar) mas não encaixa na cidade, na escola ou sequer em casa, onde tem uma mãe gélida e um irmão bully. Ele é inteligente, pobre (a mãe faz limpezas na casa de Marianne) e, sendo desportista, encaixa na cidade e na escola. E em casa, a mãe é o que se espera que uma mãe seja.

É inevitável que se juntem e se explorem. Mas ele faz questão de manter o romance escondido, por clara vergonha. O que não a impede de amar e ela agradece que alguém lhe dê atenção até se fartar de vez. Voltamos a vê-los (nada temam, ainda estamos no início da série) já universitários, em Dublin, já ela é toda segura, namorada de uma das estrelas do campus e, moderna e cosmopolita, atrai agora as atenções de homens e mulheres. Já ele, sente saudades de casa e ainda não se encaixou totalmente na nova realidade. Agora é ela que pode ter vergonha dele.

E continua uma história de desencontro e de um amor estranho, forte, mas inconstante que vai mostrando que eles têm outras pessoas e que ela até passa pela Suécia e que eles até se encontram em Itália, na casa de férias dela. Normal People dá ares de uma qualquer série juvenil norte americana, com desportistas versus marrões e com direito até a um baile de finalistas e ao depois dos mais populares da escola, transformados em campónios sem horizontes. Dá ares de um filme independente francês sobre os desafios da academia e a vida boémia nos entretantos. Faz lembrar um filme italiano de verão, quando eles estão na velha casa de férias, jovens exploradores em busca da próxima aventura. Normal People é sobre crescer, com amor e muito sexo pelo meio. É sobre muito pouco e sobre muito. É sobre a história de um casal normal, mas nunca banal.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub