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O Voo do Colibri

«O Colibri não é apenas um pássaro qualquer, o seu coração bate 1200 vezes por minuto, bate as suas asas 80 vezes por segundo, se parassem as suas asas de bater, estaria morto em menos de 10 segundos. Não é um pássaro vulgar, é um milagre.»

Newness (2017)

Maio 27, 2020

Francisco Chaveiro Reis

 

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Nicholas Hoult, um dos mais interessantes atores do panorama atual, juntou-se à espanhola Laia Costa para um filme que explora as relações de hoje em dia. Jovem farmacêutico, bem parecido e sucedido, com um casamento breve atrás das costas, só conhece raparigas através de uma app, aborrecendo-se rapidamente das suas conquistas e ignorando as mulheres de carne de osso que estão mesmo ao seu lado. É também através dessa app que Gabi, sempre entre profissões porque se aborrece rapidamente, conhece homens. O casal conhece-se e acaba por se apaixonar e viver um relacionamento intenso. Pelo menos até ao aborrecimento e a realidade tomarem conta da relação.

The Big Sick (2017)

Maio 27, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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O comediante paquistanês Kumail Nanjiani conta a sua história de amor (verídica). Na altura em que os seus pais queriam que fosse advogado e casasse com uma rapariga paquistanesa (Kumail colecionava as fotografias que as pretendentes lhe ofereciam nos jantares combinados pela mãe), Kumail tentava a sua sorte como comediante nos bares de Chicago e conhecia Emily (Zoe Kazan), por quem se apaixonou. E quando a relação parecia condenada pela sombra das tradições familiares de Kumail, Emily adoece gravamente e Kumail fica com ela, ao longo do coma e conquista os pais e Emily, Beth (Holly Hunter) e Terry (Rai Romano).

Euphoria (2019-?)

Maio 26, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Cru, duro e muitas vezes, literalmente nu, assim é o retrato que Euphoria faz da adolescência ocidental, onde há necessidade viver tudo, no limite e rapidamente. No centro, está Rue (Zendaya, ex-menina Disney), que regressa às aulas após um verão de overdose e desintoxicação. Atormentada pelo passado e com necessidade constante de escape, continua a drogar-se, engando a mãe e irmã e caminhando para o abismo, seja lá isso, o que for. Eis se não quando, lhe aparece à frente, Jules (a ativista Hunter Schafer), cheia de estilo e de dores da separação dos pais e se torna na sua melhor amiga e razão de abstinência de drogas, ao mesmo tempo que se apaixona por estranhos via app´s. Num mundo digital, há ainda a gordinha que perde a virgindade e é filmada, acabando por virar o jogo e transformar-se numa sensação sexy em sites pornográficos. Há o menino perfeito, com uma a namorada perfeita que cresce à sombra de um pai dominador e que tem tendência para o controlo e violência. E existe a boazona, disposta a tudo, para que gostem dela, confundido o sexo com o amor e existe muito mais, num ecossistema de uma realidade aparentemente paralela que afinal acontece aqui ao lado.

Cassandra Darke (2018)

Maio 25, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Perdido na Feira do Livro, a menos de 10 euros (a etiqueta dos tempos áureos indicava mais de 25, merecidos), estava este Cassandra Darke, de 2018, nascido da cabeça, pena e estirador de Posy Simmonds, conhecida por ter criado a personagem de Tamara Drewe, que até chegou ao cinema através do corpo de Gemma Arterton. Graphic novel de fino recorte, leva-nos ao dia a dia de Cassandra, uma londrina endinheirada que vende obras de arte e vive numa casa de 7 milhões de libras. Já se sabe que dinheiro não é tudo e Cassandra nada quer com a simpatia, alegria ou sequer, com a empatia. Quando a filha do ex-marido vai viver com ela, Cassandra lá arranja forma de encontrar um coração para ajudar a pequena em apuros, num livro com piscar de olho a um Charles Dickens festivo.

Aos olhos da justiça (2019)

Maio 24, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Em 1989, uma jovem foi violada e espancada em pleno Central Park, em Nova Iorque. O ato bárbaro levou a que cinco adolescentes fossem condenados a consideráveis penas de prisão. No entanto, apesar de terem estado encarcerados doze anos, não chegaram a cumprir as suas penas na totalidade. Em 2002, o verdadeiro criminoso, num rebate de consciência, confessou-se e foi preso. Os cinco foram libertados, indemnizados e são agora homenageadas numa série Netflix. A homenagem, justa, mostra como a justiça escolheu e condenou cinco jovens negros, de poucos meios, por um crime que não cometeram, mudando para sempre o rumo da sua vida. A questão levantada é simples e complexa: estão os EUA livres de voltar a fazer o mesmo?

With love, Simon (2018)

Maio 23, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Nem o facto de ter um grupo unido de amigos que o adoram e uma família liberal que o ama, faz com que Simon se sinta capaz de revelar o segredo que esconde há quatro anos. Simon é gay. Mas ninguém, que não ele, sabe ou desconfia. Simon não entra em estereótipos e até teve namoradas, mas sabe claramente o que é e espera pela conclusão do secundário para ser um universitário abertamente gay. Quando o blogue da escola revela Blue, um anónimo, como gay, Simon começa a construir com ele uma relação via email. Uma interpretação poderosa de Nick Robinson, ora bem humorada, ora angustiada que mostra que em 2019, ainda não é fácil alguém assumir-se gay.

Tag (2018)

Maio 22, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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A história verídica de um grupo de amigos americanos que jogam ao tag (apanhada) todos os anos, em maio, dando uso aos truques mais loucos, pariu um filme hilariante que junta um belo elenco: Jeremy Renner, Ed Helms, Jake Johnson, Jon Hamm, Hannibal Buress, Annabelle Wallis, Isla Fischer ou Susan Rollins. A história tem pouco que saber. Jerry nunca foi apanhado em anos e anos do jogo e o grupo volta a juntar-se, na altura do seu casamento para o apanhar. Previsível e pateta muitas vezes, acaba por ter meia dúzia de gags que fazem valer a pena gastar mais de hora e meia.

Richard Hendricks é um informático que cria uma app – Pied Piper – que permite comprimir ficheiros como nunca antes. Assim, deixa a Hooli, empresa gigante onde trabalha para, com três amigos, desenvolver a aplicação e procurar a grandeza. O caminho mostra-se difícil e, invariavelmente, hilariante. A Richard (Thomas Middleditch), juntam-se Gilfoyle (Martin Starr), que, acima de Satã, só adora mais fazer pouco dos outros e Dinesh (Kumail Nanjiani), estereotipo do informático que tem fobia de mulheres. O grupo vive na “incubadora” de Erlich (T.J. Miller), um trintão que subsiste graças aos louros de uma app bem-sucedida, vendida há anos e que agora abre as portas de sua casa a jovens com ideias, a troco de 10% das suas empresas. O grupo, ao qual se juntam Jared (Zach Woods), voluntarioso “faz tudo” que trocou uma carreira de riqueza e tranquilidade pela Pied Piper e Monica (Amanda Hall), conhecedora do mercado e interesse romântico de Richard, enfrenta de tudo: concorrência desleal, investidores chanfrados e as suas próprias parvoíces, até chegar ao sucesso. Mais do que tudo, Sillicon Valley satiriza um ecossistema de inovadores vazios e põe o derradeiro geek a ser o herói do dia.

 

Estrela do Norte (2018)

Maio 21, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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Estrela do Norte, uma das sensações literárias dos últimos tempos, é tudo o que se diz sobre si. É um livro cheio de ritmo, ao estilo dos melhores policiais, que não da vontade de pousar mas contém uma história bem construída e personagens ricas, não querendo ser apenas um pageturner sem alma. O regime da Coreia do Norte e os seus segredos servem de base às histórias das personagens: Jenna (filha de pai americano e mãe coreana), chamada a ajudar os serviços secretos americanos na esperança de saber o que aconteceu à irmã gémea desaparecida há anos e que é chamada a infiltrar-se no país mais perigoso do mundo; Moon, uma camponesa norte-coreana que encontra um pacote proibido e faz dele o trampolim para montar um negócio e ter uma vida melhor que já percebeu que o seu país nunca dará, Cho, um oficial do exército da Coreia do Norte que é enviado a Nova Iorque em missão percebe que o Ocidente não é necessariamente o Diabo e ainda o jovem Kim Jung-un, numa escola de elite suíça onde conhece os prazeres da vida. Quando um país se fecha sobre si próprio e pouco se sabe sobre o que lá se passa, a cultura acaba por imaginar e preencher os espaços em branco. Já acontecera no filme “Uma Entrevista de Loucos” (2014) com James Franco e Seth Rogen; na graphic Novel “Pyongyang: A Journey in North Korea” (2004) de Guy Deslisle ou até na incursão do português José Luís Peixoto, contada em “Dentro do Segredo” (2012).

Era uma vez em Hollywood (2019)

Maio 20, 2020

Francisco Chaveiro Reis

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“Era uma vez em Hollywood”, o novo de Tarantino, não me arrebatou como “Inglorious Basterds”, “Kill Bill” ou “Django”, os meus filmes favoritos de Quentin. Nem sequer, me arrebatou moderadamente como Jackie Brown ou Cães Danados. Aqui chegado, percebo estar a pôr-me a jeito de insultos e havendo tantos milhares de pessoas que percebem mais de cinema do que eu, tais insultos serão justificados. Aceito-os. Mas esta é apenas uma opinião.

“Era uma vez…”, durante e depois, não me conquistou. É longo de mais (isso, mantenho), com toques de aborrecimento (mantenho) e parece não ter história (mantenho, mas isso não é mau). E é esta última parte que eu não entendi de imediato. Tarantino sabe escrever boas histórias. Se “Era uma vez…” parece não a ter é porque Tarantino não quer e porque não é preciso. “Era uma vez…” é um filme que presta homenagem ao cinema e televisão, sobretudo dos anos 60, como foco no western e no western azeiteiro europeu, filmado em Itália. É uma grande homenagem em forma de filme e isso não é mau, assim o público esteja preparado para apanhar uma boa percentagem das referências que Tarantino nos atira.

Mas há alguma história. Três, até. No centro de tudo está Rick Dalton (Leo DiCaprio), um ator que já viveu melhores dias e vai fazendo aparições aqui e ali, mas muito longe dos dias de glória que teve numa série western (o género é convidado de honra da fita). As lembranças dos trabalhos da sua carreira e as participações em séries e filmes servem para que Tarantino se divirta à grande, filmando DiCaprio em vários papeis e géneros, como se tivéssemos mesmo nos anos 60. Há filmes e séries dentro do filme. Já vale o bilhete.

Cliff Booth (Brad Pitt), é o seu fiel escudeiro. Já teve também dias melhores como duplo de Rick, agora é seu moço dos recados. Mas também tem gostos (muito boa a sequência da sua rotina diária depois de sair do serviço de Rick), ambições e desilusões. Tambem tem pequenas aventuras como aquela em que leva uma hippie giraça até um certo rancho onde se filmava a série de maior do sucesso da sua carreira e que passa a servir de quartel general para o grupo de Charles Manson.

A terceira história é a de Sharon Tate (Margot Robbie), atriz em ascensão, recém-casada com Roman Polanski (Rafal Zawierucha), no rescaldo do sucesso de “A semente do diabo”. Sharon maravilha-se com os seus filmes (muito boa a cena em que vai ao cinema ver a reação do público à sua interpretação) e, já grávida, conta com o apoio de amigos para passar o tempo, enquanto que Polanski filma em Londres…

“Era uma vez em Hollywood”, o novo de Tarantino, não me arrebatou como “Inglorious Basterds”, “Kill Bill” ou “Django”, os meus filmes favoritos de Quentin. Nem sequer, me arrebatou moderadamente como Jackie Brown ou Cães Danados. Aqui chegado, tenho que olhar para o meio do meu texto e perceber que nada falta em “Era uma vez…” para que seja um sucesso fulgurante e uma grande lição de cinema.

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