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O Discurso Musical de Henryk Górecki

por Guilherme Diniz, em 23.01.16

Em Henryk Górecki notamos um percurso musical acidentado, indo da mais extremada atonalidade ao que poderia ser identificado como tendência neo-romântica. Partindo da constante utilização do pontilhismo weberiano — somado à fixação quase obsessiva pelos timbres — aos poucos foi se aproximando, nos idos de 1960, de compositores como Luigi Nono, Karlheinz Stockhausen, Krzysztof Penderecki e, principalmente, Pierre Boulez. Em razão disso, suas composições sempre foram identificadas por possuírem arquétipos que moldam e universalizam não apenas melodias e harmonias, mas também o instinto de ruptura e objetividade artística. 

Todavia, o esgotamento daquelas experiências-limite (autenticamente serialistas) fez com que Górecki, nas décadas seguintes, fosse cada vez mais se adiantando às formas musicais tradicionais. Importante ressaltar que o tradicionalismo das composições das décadas de 1960-70 é apenas aparente e superficial; dir-se-ia provocativo e construtor. São obras cuja composição pressupõe o emprego de formas móveis, autênticas work in progress, que não raro negam a hierarquia entre compositor, intérprete e ouvinte. O que podemos perceber nas composições de Górecki é que ele faz a música aproximar-se, obrigatoriamente, de um questionamento não apenas quanto à sua forma, mas também quanto ao seu conteúdo discursivo.

Paralelamente a isso, põem-se elas a indagar sobre a imposição de uma visão hegemônica da história marcada pela justificação da impessoalidade e mecanização. Górecki oferece, em contrapartida, a ressurreição da via humanista, qual seja, da retomada da auto-consciência individual, onde muitas das suas obras buscam implicações de ordem ética e estética, ambas definidas contextual e historicamente. Essa Weltanschauung é importante de ser compreendida porque é a mesma que influenciou nomes como Kazimiers Serocki (1922–1981) e Tadeuz Baird (1928–1981): é o tempo da insurreição de Varsóvia, dos campos de prisioneiros.

 

É a possibilidade de recuperação das formas naturais de um universo desencantado — ora representado na imagética do Holocausto (Sinfonia nº 3), ora na inserção de temas e referências à sua pátria, a Polônia. Se o eixo político sobre o qual o século XX definiu-se foi a bipolaridade, musicalmente, hoje, somos capazes de perceber que essa janela da história permite o acesso a inúmeros modelos pautados na fusão entre o universal e local. São matizes culturais próprios que se aventuram pelo mundo afirmando sua identidade e nível, e que raramente correspondem às convenções preexistentes.

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Michael Jackson e o meu Verão

por João Ferreira Dias, em 24.08.14

Ainda tenho esta cassete, guardada no pó das outras que já não tocam, ou porque o rádio já não tem entrada para a fita que pára e temos de virar, ou porque as memórias doem e mais vale não ir mexer no baú das recordações. No entanto, porque o Verão me é tão nostálgico, lembrei-me deste álbum de Michael Jackson, e dos Verões que tocava na 125 Azul, com os pés de fora, a ansiedade a saltar do peito, e a alegria absoluta da infância regada às possibilidades de um Verão quente e com o rio refrescante ali ao lado, na tua terra F. 

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Era capaz de ouvir isto o dia todo

por João Ferreira Dias, em 09.02.14

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Bublé em Lisboa

por Francisco Chaveiro Reis, em 03.02.14

 

 

 

 

 

Michael Bublé regressou a Lisboa para duas casas cheias no MEO Arena, nos dois primeiros dias de fevereiro. Como é habitual, apresentou-se de fato, laço e, para além de cantar (e bem) disse graçolas de oportunidade e encantou o público. É um entertainer à antiga que não desilude.

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Da saudade

por Francisco Chaveiro Reis, em 20.12.13

 

 

Dá-me uma gotinha de água

 

"Fui à fonte beber água,
achei um raminho verde.


Quem no perdeu tinha amores,
Quem no perdeu tinha amores,
quem no achou tinha sede!

 

Dá-me uma gotinha de água,
dessa que ouço correr!


Entre pedras e pedrinhas,
Entre pedras e pedrinhas,
alguma gota há-de haver!

Alguma gota há-de haver,
para molhar a garganta.


Quero cantar com'à rola,
quero cantar com'à rola,
como a rola ninguém canta"

 

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Dia 18

por Francisco Chaveiro Reis, em 15.11.13

 

 

Segunda-feira será um dia culturalmente interessante. Nessa data, 18 de novembro, chega aos escaparates "Um milionário em Lisboa", segunda parte da obra sobre a vida de Calouste Gulbenkian por José Rodrigues dos Santos. Não digo que seja o melhor escritor português e até sublinho que existem centenas melhores mas, isso não tira o mérito aos seus livros, com temas interessantes e bom ritmo.

 

 

Chega, ainda, às lojas, "Lisboa 22.38", o novo trabalho de António Zambujo, um dos mais interessantes cantautores portugueses. O alentejano edita um albúm ao vivo no Coliseu de Lisboa. Conheça-o melhor aqui.

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R.I.P

por Francisco Chaveiro Reis, em 28.10.13

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♪ Discos e Memórias

por João Ferreira Dias, em 02.10.13

A sonoridade quente, envolvente e profunda, que se mescla com a poderosa e lírica voz de Dani Klein, fazem deste um dos meus discos favoritos. Há na música de Vaya Con Dios um convite ao mergulho em dias cinzentos, chuvosos e tristes, à busca da memória, ao revivalismo. Para mim esta banda belga é tanto de boa música quanto de recordações de outras viagens, de outros hojes lá atrás.

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AM

por Francisco Chaveiro Reis, em 16.09.13

Os Artic Monkeys estão de volta após Suck It And See com AM. Ao quinto disco, os AM dividem-se. Não são os adolescentes enérgicos e quase punks de Whatever People Say I Am, That's What I'm Not (2006) ou Favourite Worst Nightmare (2007) nem os homenzinhos melancólicos de Humbug (2009) e Suck It and See (2011). São uma mescla dos dois, para felicidade dos fãs que gostam da maturidade dos novos AM mas sentiam-se saudades da irreverência de canções contagiantes como Bet You Look Good on the Dancefloor; Fake Tales of San Francisco ou When the Sun Goes Down. Vale a pena ouvir. Com toda a atenção.

 

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