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Game of Thrones. Um festim.

por Francisco Chaveiro Reis, em 16.06.15

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Quando, em agosto de 1996, o livro A Game of Thrones foi lançado, poucos imaginariam que, 19 anos depois, seria um dos maiores sucessos de sempre da cultura popular, apenas comparável as sagas como a Guerra das Estrelas ou O Senhor dos Anéis. Afinal, era um exemplar de literatura fantástica, sempre tida como menor, escrito por um desconhecido gorducho gótico.

 

George R. R. Martin, confesso herdeiro de Tolkien, apresentou ao mundo a luta sanguinária pelo Trono de Ferro, que controla as terras de Westeros, e os volumes da história foram ganhando fãs por todo o mundo. Martin, nunca se deixou pressionar pela voracidade dos fans e sempre levou o seu tempo a escrever os livros. Com a fama e proveito, maior se tornou a espera. O quarto livro saiu cinco anos após o terceiro e o quinto, viu a luz do dia, seis anos depois do quarto. O sexto deve sair na primavera de 2016, cinco anos depois de A Dance With Dragons.

 

O sucesso atingiu todo outro nível quando a HBO, campeã da televisão americana, fez dos livros, uma série. Em abril de 2011, estreou-se Game of Thrones. Na era do streaming e do download, torna-se, a cada season a mais desejada e pirateada de sempre e, cada episódio, “parte” a internet com análises profundas, teorias e conjeturas.

 

Foi o que aconteceu no domingo, quando se deu o fim da quinta série. Não se tem a certeza de como será a sexta, sem novo livro, sabendo-se que os outros cinco ainda têm muito para explorar. Mas foi mais uma season finale em que morre um dos favoritos do público, habituado a isso desde a primeira, mas com o mesmo choque ingénuo de sempre.

 

E o sucesso da série está aí mesmo. Acontece sempre algo chocante. Nunca estamos com o coração descansado. Nunca nada é previsível. Se temos um miúdo com jeito para a escalada, alguém tem que o atirar de uma altura que o paralise. Se temos festas de casamento, alguém tem que ser massacrado. Com poças de sangue ou com a subtileza do veneno. Se temos um exótico herói prestes a derrotar uma besta assassina, havemos de ver o seu crânio esmagado. Se temos uma donzela farta de sofrer, havemos de vê-la ser violada noite após noite. Bem, já perceberam. O choque é a série e a série é o choque. Todos queremos ser chocados, mesmo que não pensemos nisso ou o admitamos, se pensarmos.

 

Para além do choque e surpresa constantes, dois fatores são determinantes para o sucesso e estão ligados ao choque: sexo e violência. Como Rome, The Tudors ou Spartacus já tinham feito, e muito bem, o sexo vende e prende. E ter largas dezenas de mulheres e homens em contante e imaginativa atividade, é interessante. Depois, a violência. Milhares de pessoas e outras criaturas caem ao longo da série. Quanto mais sangrenta a morte for, melhor. E o sangue jorra como o vinho em Westeros.

 

Mas, há mais. Há a melhor intriga palaciana de que há memória. Há piscares de olhos à sociedade romana com belos jogos de bastidores e até há jogos em coliseus. Há um belo toque arturiano com cavaleiros honrados a cumprir ideais ultrapassados. Há piscares à cultura RPG dos jogos de vídeos e à violência mais ou menos subtil de sagas como God of War ou Assassin´s Creed (O Deus das Muitas Faces). Há uma forte componente bíblica com vários Messias e alguns diabos.

 

Game of Thrones, a série, é um best-of da cultura pop, da Bíblia aos jogos de vídeo servido com ambição, sexo e violência. É um cocktail do nosso tempo, embrulhado em todos os tempos, que existiram e não existiriam. É um festim. E nós, corvos, aguardamos ansiosamente por mais, muito mais, não nos tivéssemos, tornados, nós próprios, egoístas e violentos fornicadores e usurpadores. We now nothing.

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